sexta-feira, 17 abril, 2026

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Jogando Limpo – Nem Todo Sonho é Ser Craque… Mas Toda Criança Merece Jogar

Por: Rodrigo Panichelli*

Todo menino já sonhou em ser jogador de futebol. Toda menina, hoje em dia, também. E esse sonho continua presente nos campos de terra, nas quadras das escolas, nos intervalos do recreio e até nas ruas onde ainda se joga bola. O brilho no olhar, o grito de gol, o chute descalço, o drible no amigo. Tudo isso forma uma infância que não tem preço mas que, infelizmente, tem sido cada vez mais rara.

Antes de se falar em peneira, escolinha, time profissional, empresário ou contrato, é preciso falar sobre o essencial: O incentivo. A base. O primeiro passe. Nenhuma criança chega a lugar algum se não tiver quem a leve até o campo. E aqui entra um alerta, quase um pedido: pais, mães, avós, padrinhos, madrinhas… levem seus filhos para o esporte.

Levem mesmo sem saber se será craque. Mesmo sem talento aparente. Porque não se trata só de futebol. Se trata de convívio. De disciplina. De saúde. De criar memórias. Se trata de tirar o filho da frente da tela, porque o celular está criando raízes em nossas crianças desde o útero, e muitos adultos ainda não perceberam o estrago que isso está causando.

Ser jogador profissional é consequência. E não para todos. O funil é cruel: enquanto milhões sonham, pouquíssimos chegam. Mas todos, absolutamente todos, podem ser cidadãos melhores se tiverem um esporte no caminho. Porque o esporte educa, cobra, ensina, repreende, valoriza, frustra e fortalece. O esporte é escola para a vida.

Na hora de escolher uma escolinha ou projeto esportivo, fique atento. Veja se seu filho é recebido com sorriso, com afeto, com paciência. Observe se a prioridade é a diversão da criança ou a vaidade dos adultos. Veja se há uma pedagogia por trás, um cuidado com a idade, uma preocupação com o ser humano antes do atleta. Se não houver amor por criança e educação, não serve.

Falo como quem viveu isso. Tentei ser jogador. Não fui. Mas fui treinado por pessoas que me ensinaram a respeitar, a cair e levantar, a vencer e perder. Hoje, com meus filhos, sigo esse caminho, e recomendo a qualquer pai que faça o mesmo. Independente de talento, de condição financeira, de vontade imediata da criança: ajude seu filho a se mover, a se sujar, a correr, a errar. A viver de verdade.
Porque entre o celular e o esporte… só um deles ensina a jogar limpo.

* Rodrigo Panichelli é apaixonado por futebol e colaborador de O Defensor.

**Os artigos publicados com assinatura não manifestam a opinião de O Defensor. A publicação corresponde ao propósito de estimular o debate dos problemas municipais, estaduais, nacionais e mundiais e de refletir as distintas tendências do pensamento contemporâneo.