Por: Nadia Araujo*
Eu não sei você, mas sinto que hoje em dia, direta ou indiretamente, estamos sempre falando sobre corpos. Nossos corpos, os corpos de outras pessoas… Não que isso seja uma grande novidade; desde que o mundo é mundo, a humanidade estudou, desejou e idolatrou a forma humana (as obras de Michelangelo não me deixam mentir). Mas, antes, eu acho que podíamos “parar” por algum momento. Bastava desligar a TV, virar a página da revista ou, simplesmente, mudar de assunto.
Agora, com esse pequeno retângulo que cabe na palma da mão, mas que é capaz de nos consumir por inteiro, o silêncio parece impossível. São corpos esculturais, procedimentos estéticos, venda de cápsulas mágicas… Uma infinidade de estímulos que transbordam para a vida real. Quer ver um diálogo comum?
— Você viu que fulana emagreceu super-rápido?
— Eu vi! Nossa, eu também preciso…
— Eu também!
Tenho a impressão de que nos acostumamos a ser insatisfeitos com nossos próprios corpos e incomodados com os alheios. Em algum momento, achamos que era de “bom tom” fazer comentários maldosos, até mesmo na presença da pessoa, como se fosse uma espécie de ajuda. Mas será que ajuda mesmo?
Não estou dizendo que não devemos nos cuidar. Afinal, o que eu mais quero para todos nós é que cheguemos à velhice com independência. Mas, enquanto esse tempo não vem, meu desejo é que possamos ser felizes nessas “casinhas alugadas” de osso e carne.



