quinta-feira, 16 abril, 2026

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Jogando Limpo – Mãe é o Porto, o Campo e o Gol

Por: Rodrigo Panichelli*

Na minha infância, era raro ver mãe na beira do campo. Não porque ela não amava. Ao contrário. Era amor demais. Era aquele amor que acordava cedo pra fazer o café, lavava o uniforme sujo de barro como quem limpa medalha de ouro e perguntava, na volta do jogo:
“E aí, ganhou? Fez gol?”
Ou a mais intrigante de todas:
“Como conseguiu sujar tanto essa roupa?”

Mãe que não ia ao jogo, mas fazia questão de preparar o pós-jogo. O arroz bem soltinho, o bife com gosto de abraço e aquele silêncio que escuta até o suspiro de quem perdeu de 5 a 0.

Hoje, o mundo gira diferente. Vejo muito mais mães ao lado dos filhos na escolinha de futebol, na natação e  no judô. É bonito demais. Mães que não apenas levam, mas vibram. Mães que gravam vídeos, que gritam “vai, filho!” com o mesmo entusiasmo de um Maracanã lotado.

Mas entendo também a mãe que não pode ir. Que trabalha em três turnos. Que é empresária de dia, heroína de noite, costureira de sonhos de madrugada. A mãe que não está no alambrado, mas está no coração do filho. Em cada chute, cada passe, cada vitória e até nas derrotas, quando um “vai passar” tem o poder de levantar um time inteiro.

Se posso dar um conselho — coisa rara para quem vive de observar o jogo e não ditar regras é esse:
Não trate seu filho como atleta profissional. Trate como filho.
Porque é isso que ele quer. Um olhar que ensina sem julgar, uma palavra que orienta sem ferir, um gesto que acolhe até quando ele erra o pênalti.

Incentive. Vibre. Ensine que o adversário é só isso: adversário!. E não inimigo. A intolerância que cresce nas arquibancadas, nas ruas e nas redes muitas vezes nasce no berro errado. E morre no colo certo. No colo de mãe.

No fim das contas, o futebol  como a vida  é só mais bonito quando tem mãe por perto. Seja no estádio, na arquibancada, na mesa do almoço ou no fundo do peito.

Mãe é o porto seguro, a arquibancada do coração , no placar da vida, o gol mais bonito que a gente pode comemorar.

*Rodrigo Panichelli é colaborador do Jornal O Defensor.