Decisão da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo gera debates em Taquaritinga; comunidade escolar será diretamente impactada com novo modelo
A partir de julho deste ano, a Escola Estadual Profa. Carmela Morano Previdelli, localizada no Jardim Santa Cruz, em Taquaritinga (SP), passará a adotar o modelo cívico-militar de ensino. A instituição está entre as cem escolas selecionadas pelo Governo do Estado de São Paulo para receber o novo sistema, após um processo de consulta pública que envolveu pais, alunos e professores.
A proposta da gestão estadual, que visa implementar o modelo cívico-militar em cem escolas já neste ano, recebeu manifestações de interesse de mais de 300 unidades escolares em todo o estado. A escolha final foi feita com base em critérios objetivos definidos pela Secretaria da Educação, como o índice de vulnerabilidade social e o desempenho das escolas no Idesp (Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo). A Escola Carmela, que atende aproximadamente 700 alunos e conta com cerca de 40 docentes, foi uma das contempladas com a nova metodologia.
A partir do segundo semestre, a unidade seguirá o Currículo Paulista — diretriz pedagógica da rede estadual — e contará com o apoio de monitores militares, cuja seleção será realizada pela própria Secretaria. O objetivo, segundo o governo estadual, é promover um ambiente mais disciplinado, seguro e favorável ao aprendizado, sem interferir diretamente no conteúdo didático, que continuará sob responsabilidade dos educadores civis.
A inclusão da Escola Carmela nesse programa reflete uma mudança significativa no panorama educacional local e reacende, inevitavelmente, um debate nacional que divide opiniões. O modelo cívico-militar, embora aprovado por parte da comunidade escolar em diversas localidades, levanta questionamentos sobre sua real eficácia, impacto sobre a autonomia pedagógica e o risco de militarização excessiva do ambiente escolar.
Importa salientar que, em Taquaritinga, o assunto já desperta reações distintas entre a população. Enquanto alguns defendem a iniciativa como uma oportunidade de resgatar valores como disciplina, respeito e organização dentro das escolas, outros temem uma supressão do ambiente crítico e plural que caracteriza a educação pública.
O papel da imprensa e da sociedade civil, nesse contexto, é o de promover o diálogo aberto, baseado em dados concretos, evidências e escuta ativa da comunidade. É fundamental entender que a adoção do modelo cívico-militar, por si só, não resolve os múltiplos desafios que afetam a educação pública, como a precarização de estruturas, a defasagem no aprendizado e a valorização dos profissionais da educação. Trata-se, portanto, de mais uma política pública em teste, cujos resultados deverão ser acompanhados de perto pela comunidade e pelos órgãos de controle.
Na mesma Diretoria de Ensino Regional de Taquaritinga (DER), outra escola também foi selecionada para o novo modelo: a Escola Estadual Sebastião Francisco Ferraz de Arruda, do município de Itápolis. Com isso, a região entra em uma nova etapa de experimentação pedagógica, que deverá ser avaliada com imparcialidade e responsabilidade.
Diante de um país profundamente polarizado, é imperativo que o debate sobre educação não se torne refém de disputas ideológicas. O foco precisa ser, antes de tudo, as crianças e adolescentes que dependem da escola pública para construir seu futuro. Independentemente do modelo adotado, o compromisso com uma educação de qualidade, inclusiva, democrática e eficiente deve prevalecer sobre quaisquer bandeiras partidárias.



