Por: Gustavo Antonio Ascencio*
Quando conheci Bruna, amei as curvas de seu corpo e todo fruto de sua juvenil beleza carnal. Lembro-me de, moleque que era (tinha 17 e ela 16), abismar-me como alguém como eu – um rapaz de aparência insossa – conseguiu a façanha de sair com uma gata daquelas. Para mim, amor era aquilo: o desejo hormonal, o olhar voraz, a textura intocável, o arrepio elétrico e borboletas nadando em bile.
Um tempo depois, já nos primeiros anos de namoro, vi que estava errado. Amor não era só isso. Mas também querer estar junto para conhecer o outro, seus gostos, medos, alegrias, traumas. Passei a pensar, então, que amar era como ler um bom livro: uma página de cada vez, tornando-se íntimo de uma história que até então se desconhece, a ponto de se ver tão imerso que torna-se impossível de se afastar.
Anos depois, mais uma vez descobri estar equivocado. Amar precisava, de mesmo modo, ser sobre integridade e caráter. Era preciso desnudar-se, sabatinar-se, virar homem — no mais vernacular. Quando antevi a grandiosidade do que estava por vir, a importância que minha ignorância e estupidez quase colocaram tudo a perder, amar foi doloroso, mas necessário.
Para nossa felicidade, errei pela terceira vez. Na verdade amar é tudo isso e mais um pouco. São os pequenos momentos de paz no capitalismo tardio, a parceria contra o mundo. É encarar as vicissitudes e jogar-se no colo, a pele ainda quente, tremente dos ódios mundanos. É escrever uma crônica sobre a importância de alguém em sua vida, mesmo numa sala de espera com um infernal telefone a tocar incessantemente. Pergunto-me se a pessoa do outro lado da linha concorda comigo. Não saberei, nem ela será atendida. Tudo bem, daqui um tempo acredito que estarei errado novamente.
Eis a definição. Uma sequência de incertezas até que se chegue à única certeza final, que arrebatará a todos. E mesmo nela ouso dizer: no apagar das luzes, pensarei em Bruna e descobrirei um novo amor.



