Por: Sérgio Sant’Anna*
Lembro-me de um professor de Língua Portuguesa incentivando-me a cursar Letras a fim de que pudesse me dedicar à docência. Ressaltava minha habilidade como redator, e para essa profissão já tinha decidido – o Jornalismo. Porém, logo vi que a função deste que vos escreve não era ficar preso a uma redação de jornal. Agora não mais com aquela infinidade de jornalistas fumantes como na época de ouro em que meu pai exercera a profissão. A sala de aula me fisgou. Minha avó Carmem sempre exaltando estes profissionais – os professores. Alimentando a necessidade que eu sentira quando decidi transmitir o que eu sabia e provocar a reflexão dos meus alunos.
Nunca parei para pensar que por parte materna fora eu o primeiro a conquistar o Ensino Superior – abrindo caminho para que irmãos e primos conquistassem essa liberdade – , só pensava em ensinar, em trabalhar, em fazer a diferença no mundo da Educação. Talvez nestes vinte e sete anos de docência tenha contribuído um pouco, todavia ainda desejo mais. Confesso que um pouco cansado, atormentado pelos resultados, principalmente no mundo dos colégios particulares, além das mudanças dessas gerações, da atrofia familiar, do desgaste dos valores etc. Mesmo assim, continuo a acreditar que o ensino é poesia. É sair dos limites, principalmente quando se ensina a pensar, a buscar a racionalidade, a buscar o futuro de uma maneira progressiva. Através da Educação, principalmente pelo mundo das Letras, desenvolvi o amor pela leitura, conheci outros estados, conquistei outros postos, fiz vários amigos, mas sei que inimigos se empilharam – não os valorizo, desta forma foram apagados pelo tempo. Meu ensino é com alegria, assim como eu. Sou sério sim, porém o humor – esse fino traço humano – faz parte do meu cotidiano. Sou alegre, mas sou triste também. E, através desse pêndulo, sigo vivendo e ensinando, assim como aprendendo. Alunos vieram, profissionais também, além dos amigos discentes. E até hoje eles persistem. Insistem no tempo.
Iniciei no interior de São Paulo, aproveitei aos estudos didáticos proporcionado pela capital paulista, todavia foi pelo Sul do Brasil que realmente me concretizei como docente. Por aqui desembarquei e me tornei professor. Aquele que aprende quando ensina. E sempre foi assim. Sou socrático. Aprendo sempre. Quantos amigos me ajudaram lá em Taquaritinga; quantos me levaram aos mais sábios na Educação paulistana e com esses sempre fui um aprendiz…No Rio Grande do Sul passei pelos grandes cursinhos pré-vestibulares, pelos colegas, hoje amigos, mais experientes, além da cultura que verte pelos cantos da cidade de Porto Alegre. Agora, em Santa Catarina, especificamente na cidade de Tubarão, também aprendo e entendo muita coisa que para alguns ainda não é compreensível. Entretanto, é só com conhecimento que passamos a nos desvincular das amarras, do pudico, do preconceito. Conhecimento é luz. É dele, deste que nominamos como conhecimento, que saímos do nosso quadrado, conectamos mundos, desenvolvemos habilidades, adquirimos competências, laçamos a paz.
E através desta crônica, desta análise do cotidiano que procuro deixar meus vocábulos, ainda cambaleando como gênero textual, numa tipologia narrativa, que nada se assemelha a genialidade de “Ao correr da pena” do grande José de Alencar, nem mesmo a irreverência de João do Rio, a naturalidade de Lima Barreto, o paradigma Rubem Braga, a ironia de Mário Prata, a complexidade de João Ubaldo, a naturalidade de Tati Bernardi, peço que a sociedade brasileira possa valorizar a mais importante das profissões, exaltada nas culturas mais elevadas, respeitada por todos e condecorada com as mais altas patentes – o Professor. Valorizem esta nobre profissão.



