Campanha contra a gripe em Taquaritinga reforça a importância da prevenção e da responsabilidade social
Por: Gabriel Bagliotti*
Sempre que começa uma campanha de vacinação, como essa agora anunciada pela Prefeitura de Taquaritinga a partir do dia 30 de março, eu me pergunto por que ainda precisamos insistir tanto em algo que deveria ser automático: cuidar da própria saúde e, consequentemente, da saúde do próximo.
A vacina contra a gripe não é novidade, não é experimental e, definitivamente, não é opcional quando falamos de saúde pública. Ainda assim, todos os anos, vemos uma adesão abaixo do ideal, especialmente entre os grupos prioritários. E isso, na minha visão, revela um problema que vai além da falta de informação, passa também por negligência e, em alguns casos, por desinteresse.
A campanha deste ano contempla uma ampla parcela da população considerada mais vulnerável: crianças pequenas, idosos, gestantes, profissionais de saúde, pessoas com doenças crônicas, entre tantos outros grupos. Não se trata de uma escolha aleatória. São justamente essas pessoas que têm maior risco de desenvolver complicações graves em decorrência da gripe.
E quando falamos em complicações, não estamos tratando de um simples resfriado. A gripe pode evoluir para quadros sérios, com internações e até óbitos, especialmente entre os mais frágeis. É por isso que a vacinação existe, para evitar que o problema chegue a esse ponto.
Outro aspecto que considero fundamental é entender que a vacina não protege apenas quem a recebe. Ela tem um efeito coletivo. Quanto maior o número de pessoas imunizadas, menor é a circulação do vírus. Isso protege, inclusive, aqueles que por algum motivo não podem se vacinar.
A estrutura disponibilizada pelo município, com vacinação nas Unidades Básicas de Saúde e a realização do Dia D em 11 de abril, demonstra que o poder público está fazendo a sua parte. Ampliar horários, facilitar o acesso e descentralizar o atendimento são medidas importantes para alcançar um número maior de pessoas.
Mas de nada adianta toda essa mobilização se a população não corresponder. Não basta disponibilizar a vacina, é preciso que as pessoas compareçam, levem seus familiares, incentivem quem ainda está em dúvida.
Também vejo essa campanha como uma oportunidade de atualização da caderneta de vacinação. Muitas vezes, o cidadão procura o posto por conta da gripe e acaba regularizando outras vacinas que estavam em atraso. É uma chance de colocar a saúde em dia de forma completa.
Nos últimos anos, infelizmente, vimos crescer um certo descrédito em relação às vacinas, impulsionado por desinformação e discursos sem base científica. Esse é um cenário preocupante, porque coloca em risco avanços conquistados ao longo de décadas.
Por isso, acredito que campanhas como essa precisam ser encaradas com seriedade. Não é apenas uma ação pontual, mas parte de uma estratégia contínua de proteção à saúde coletiva.
A decisão de se vacinar pode parecer individual, mas o impacto é coletivo. E, em uma sociedade, esse tipo de responsabilidade não pode ser ignorado.
A campanha está aí, os postos estarão abertos, o acesso está facilitado. Agora, cabe a cada um fazer a sua parte. Porque, no fim das contas, prevenir sempre será mais eficaz do que remediar.



