Por: Gustavo Girotto* e Raphael Anselmo Gibertoni**
No ar…: – “Em tempo: pedimos aos ‘críticos’ que não ataquem o jornal O Defensor Taquaritinga e tampouco o editor Gabriel Bagliotti , já que o artigo é de exclusiva responsabilidade dos autores -, ou seja: nossa!”….
Quando alguns leitores resolvem reagir a um artigo opinativo com xingamentos, ataques pessoais e chiliques públicos, não estão apenas demonstrando discordância — estão confessando, sem pudor, o quanto desprezam a democracia. Porque discordar faz parte. O que não faz sentido é surtar diante de uma opinião divergente, como se o jornal tivesse cometido um crime por… bem, existir.
A liberdade de expressão — lembram dela? — não é um privilégio exclusivo da própria bolha ideológica. Ela vale também para aquilo que te irrita, te confronta ou te tira da zona de conforto. E isso parece ser demais para alguns. O simples fato de um texto questionar certezas virou, para certos grupos, uma espécie de terrorismo editorial.
A crítica construtiva é sempre bem-vinda. Mas o que se vê por aí não é crítica — é gritaria histérica. Gente incapaz de formular um argumento, que parte direto para o “quem você pensa que é?” ou o clássico “isso é um absurdo” (sem explicar o quê, como ou por que). Esse tipo de reação não é só antidemocrático. É, acima de tudo, infantil.
Jornalismo não existe para agradar. Existe para informar, provocar, incomodar. Se tudo que você lê só confirma o que já pensa, isso não é leitura — é massagem no ego. Jornal que vive de aplausos não faz jornalismo. Faz publicidade de si mesmo.
Foi exatamente isso que ocorreu com o artigo “Patria não amada: Bolsonaro rechaça nossa soberania punindo o trabalhador brasileiro”, publicado 19/07/2025, que, aparentemente, tirou o sono da base bolsonarista local — aquela mesma que já havia sido derrotada nas urnas e, desde então, parece também ter perdido o senso de ridículo. O texto ainda teve eco num ex-político em fim de linha, que hoje sobrevive de lembrança e ressentimento. Sem cargo, sem voto, sem rumo, sobra-lhe o discurso pronto: culpar “a esquerda”, “a mídia” e, claro, “o sistema”, por tudo que não fez, não quis fazer ou não soube como fazer.
Enquanto isso, a cidade segue. E segue precisando de representantes que falem menos e pensem mais — que troquem o slogan pelo argumento. Mas o que recebemos é justamente o oposto: figuras presas a uma ideologia vencida, que só sabem repetir chavões de 2018, como se o mundo não tivesse mudado. Spoiler: mudou.
Até mesmo gente da área da saúde — sim, aquela que deveria ter aprendido algo com o fracasso na pandemia — resolveu opinar, chocada com a existência do texto. Uma delas exclamou: “não tô lendo isso. Não é possível.” Pois bem, só faltou dizer “é muito grande!” ou “onde estão os emojis?”. O que seria realmente surpreendente, convenhamos, era ela escrever um artigo para a gente ler. Fica o desafio. A aposta está lançada.
E por fim — porque sempre sobra o mais espinhoso para o final —, revelar a verdade sobre a família Bolsonaro – que quer chantagear o Brasil – em troca de impunidade.
Causar incômodo é parte do ofício da imprensa. Um jornal que não desagrada ninguém é só um panfleto colorido. A democracia exige desconforto. A verdade não pede licença, e muito menos desculpas. E se, ao se deparar com ela, tudo que resta é espernear com erros de concordância e o assassinato da gramática — bom, talvez o problema não seja o texto. É o leitor que quer criticar, mas não sabe a diferença de um artigo, matéria ou editorial. Isso é um artigo, fim! Mas: – nenhum líder de outro país tem autoridade moral ou legal para nos chantagear, ameaçar, interferir em assuntos do Estado brasileiro. Brasil acima de tudo! O resto é: ô Trump! Defende meu pai (…)




