Em 12 de junho de 2025, os boletins epidemiológicos divulgados pela Prefeitura de Taquaritinga trouxeram à tona um cenário que, embora aparentemente controlado em relação à Covid-19, revela uma preocupante escalada da dengue, negligenciada por parte da população e, em certa medida, subestimada pelas autoridades. Com 2.453 casos positivos de dengue registrados desde janeiro, contra 310 casos de Covid-19 no mesmo período, fica evidente onde está hoje o verdadeiro desafio de saúde pública do município.
A dengue não é uma novidade, tampouco um inimigo invisível. É reincidente, previsível e prevenível. Ainda assim, os números demonstram que continuamos falhando em enfrentá-la de maneira eficaz. A proliferação do mosquito Aedes aegypti, vetor da doença, tem raízes em práticas cotidianas: lixo mal descartado, água parada em quintais, terrenos baldios abandonados e uma cultura de desatenção que insiste em se repetir ano após ano. Mas há também um elemento institucional nesse fracasso — campanhas de conscientização muitas vezes pontuais, sem continuidade ou impacto duradouro, somadas à morosidade da fiscalização.
Por outro lado, é inegável que a situação da Covid-19 aparenta estar sob controle. Com apenas um caso ativo em isolamento e um óbito confirmado desde o início do ano, os dados são reflexo de uma combinação entre vacinação, cuidados permanentes e maior conscientização popular. Isso mostra que quando há interesse coletivo, campanhas bem articuladas e políticas públicas coerentes, os resultados aparecem. Mas por que a dengue, que possui um vetor identificado e medidas simples de prevenção, continua vencendo essa batalha?
O maior problema, talvez, esteja na banalização da doença. O fato de a dengue ser endêmica parece tê-la tornado quase “naturalizada” no cotidiano da cidade. A população, cansada de alertas repetitivos e sem ver ações mais enérgicas e contínuas, acaba adotando uma postura de indiferença. E enquanto isso, os números se multiplicam.
É preciso entender que o combate à dengue não é um favor à Prefeitura, à Secretaria de Saúde ou à Vigilância Epidemiológica. É um dever cívico de cada morador, assim como é dever do poder público garantir educação sanitária constante, fiscalização e limpeza urbana. Não adianta apenas divulgar números se esses boletins não forem acompanhados de ações visíveis e participativas.
O dado mais alarmante talvez não esteja nos boletins, mas na percepção geral de que “sempre foi assim” e “vai passar”. Essa resignação silenciosa é o terreno mais fértil para o mosquito da dengue. Em contrapartida, a experiência com a pandemia deveria ter deixado um legado de vigilância constante, responsabilidade coletiva e ação imediata.
Enquanto continuarmos tratando a dengue como uma doença sazonal e inevitável, seguiremos somando milhares de casos e colocando vidas em risco. É hora de mudar esse discurso. O boletim serve de alerta, mas a resposta tem que vir das ruas, dos lares e das lideranças. Porque a saúde pública é um direito — mas também é uma responsabilidade de todos.



