Por: Rodrigo Panichelli*
No futebol brasileiro, nem só de holofotes vive a paixão. Enquanto a Série A domina debates, polêmicas e milhões, o verdadeiro coração do nosso esporte pulsa forte no Lado B da bola — onde os estádios são menores, os salários mais apertados, mas a emoção… essa é sempre gigante.
E 2025 entregou exatamente isso.
Série D – Quatro acessos, quatro histórias de resistência
Santa Cruz, gigante adormecido do Arruda, renasceu em meio a seus escombros emocionais.
O Barra, de Santa Catarina, mostrou que projeto sério também sobe degrau.
O tradicional Maranhão Atlético Clube, orgulho da Ilha, voltou a ganhar o mapa nacional.
E a Inter de Limeira, campeã paulista de 1986, lembrou ao país que camisa pesada nunca se rende.
Quatro estados diferentes. Quatro cidades tomadas por buzinaços, fogos e lágrimas. A Série D não paga milhões. Mas paga a alma.
Série C – A ponte para o topo
Se a D é esperança, a C é reconstrução.
Londrina, Ponte Preta, Náutico e São Bernardo conquistaram a vaga na Série B — e cada um carrega seu enredo.
O Londrina se reergue. A Macaca volta a respirar grandes jogos. O Timbu retoma sua caminhada rumo ao protagonismo. O Bernô confirma que projeto bem feito, mesmo sem torcida gigante, vira realidade.
Subir da C para a B é como abrir uma porta para o mundo. É profissionalizar o sonho.
Série B – A última fronteira antes do paraíso
E na Série B aconteceu de tudo.
Mas o que realmente importa são os quatro que subiram:
Coritiba, gigante ferido, retorna ao convívio dos grandes.
Athletico Paranaense, exemplo de gestão, volta ao cenário que aprendeu a dominar.
Remo, o Fenômeno Azul, reencontra a elite depois de décadas de espera.
E a Chapecoense, símbolo de superação mundial, devolve ao futebol uma história que nunca deveria ter deixado de ser contada no topo.
Cada acesso é mais do que uma classificação.
É um bairro em festa.É uma cidade parando.É um estado inteiro de peito estufado.
O lado B da bola vale mais que milhões
Porque aqui, no subterrâneo encantado do futebol brasileiro, não existe glamour — existe paixão crua, identidade, pertencimento.
Subir uma divisão para esses clubes é como ganhar uma Copa do Mundo doméstica.
Enquanto a Série A brilha na vitrine, é no lado B da bola que o futebol encontra o seu coração.
* Rodrigo Panichelli é apaixonado por futebol e colaborador de O Defensor.
**Os artigos publicados com assinatura não manifestam a opinião de O Defensor. A publicação corresponde ao propósito de estimular o debate dos problemas municipais, estaduais, nacionais e mundiais e de refletir as distintas tendências do pensamento contemporâneo.



