segunda-feira, 5 outubro, 2026
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Em Taquaritinga: Maçonaria ‘Líbero Badaró’ celebra 128 anos e reafirma trajetória de fraternidade e atuação

Sessão Magna de Aniversário reuniu membros da Maçonaria e autoridades do Grande Oriente do Brasil para recordar história iniciada em 1898, marcada pela preservação da memória e por ações de caráter social no município

A A∴R∴L∴S∴ Líbero Badaró nº 625, uma das instituições mais antigas em atividade em Taquaritinga, celebrou na noite de sexta-feira, 2 de outubro, seus 128 anos de fundação. A data foi marcada por uma Sessão Magna de Aniversário, realizada no Templo da Oficina, na Rua Marechal Deodoro, nº 1.371, reunindo Obreiros, convidados e representantes de diferentes instâncias da Maçonaria para recordar uma trajetória iniciada ainda em 1898, quando o município era conhecido como Ribeirãozinho.

A solenidade foi conduzida pelo Venerável Mestre Renato Cesar Davoglio e teve como eixo a valorização da memória daqueles que participaram da construção da Loja ao longo de mais de um século. Federada ao Grande Oriente do Brasil (GOB) e jurisdicionada ao Grande Oriente do Brasil de São Paulo (GOB-SP), a Líbero Badaró atravessou diferentes períodos da história do município e mantém registros de participação em iniciativas de caráter comunitário.

Entre as autoridades presentes estiveram os integrantes do Conselho Estadual do GOB-SP Eduardo Bombonato, Paulo Henrique Oliveira, Wilson Roberto Marchio e Robson Thomaz Canhadas. Também participaram os deputados federais maçônicos Luís Fernando Cazari, Rogério Morales, Gabriel Maurício e Euclides Rodrigues Jr., além de Sidnei Conceição Sudano, do Conselho Federal.

A Sessão Magna contou ainda com a presença de Sinval José Danielle, secretário de Previdência e Assistência do GOB; Sandro Tarpinian, assessor da Secretaria de Previdência e Assistência do GOB; Wilson Guimarães Jr., assessor distrital da 13ª Macro Região do GOB-SP; e dos assessores do Grão-Mestrado Waldemar Peria e Júlio César de Oliveira. Também estiveram presentes Luiz Carlos Beduschi e José Carlos Silveira, detentores da Comenda de D. Pedro I.

Mais do que assinalar uma data, a cerimônia possibilitou recuperar parte da história de uma Oficina cuja origem remonta aos últimos anos do século XIX.

Primeiros passos foram dados quando Taquaritinga ainda era Ribeirãozinho

A trajetória da Líbero Badaró começou em 14 de maio de 1898, quando um grupo se reuniu na residência de Guilherme Funari, após convocação dirigida aos maçons que viviam na então Vila de Ribeirãozinho. A reunião foi conduzida pelo Dr. Carlos Rosso, que posteriormente se tornaria o primeiro Venerável Mestre da Oficina.

Um mês depois, em 14 de junho de 1898, os fundadores escolheram Líbero Badaró como patrono da instituição. O reconhecimento pelo Grande Oriente do Brasil ocorreu em 1º de outubro daquele mesmo ano, data considerada o marco oficial de fundação da Loja.

A escolha do nome carrega um significado relacionado à própria trajetória do homenageado. Giovanni Battista Líbero Badaró foi médico e jornalista italiano radicado no Brasil, conhecido por sua atuação ligada à liberdade de imprensa e aos debates políticos de sua época. Assassinado em São Paulo, em 1830, teve sua morte associada às tensões políticas do Primeiro Reinado.

Ao adotar seu nome, os fundadores incorporaram à identidade da Oficina uma referência à liberdade de pensamento, liberdade de expressão e defesa das ideias. Mais de um século depois, o patrono permanece como parte da identidade histórica da instituição.

A comemoração dos 128 anos também voltou a atenção para as sucessivas gerações responsáveis por manter a Loja em atividade desde o final do século XIX. Nesse período, Taquaritinga passou por profundas transformações econômicas, urbanas e sociais, enquanto a Oficina preservou documentos, tradições e registros de sua atuação.

História se relaciona com a Santa Casa de Taquaritinga

Entre os capítulos destacados na trajetória da Líbero Badaró está a participação de seus integrantes em iniciativas comunitárias. Um dos principais registros apresentados pela instituição refere-se à mobilização que contribuiu para a criação da Santa Casa de Misericórdia de Taquaritinga.

No início do século XX, quando o município ainda estruturava seus serviços e instituições, integrantes ligados à Loja participaram dos esforços comunitários para viabilizar uma estrutura organizada de atendimento à saúde. A Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Taquaritinga foi formalizada em 17 de maio de 1907.

Ao longo das décadas seguintes, a Santa Casa consolidou-se como uma das instituições de atendimento à saúde do município. Para a Líbero Badaró, a participação de seus integrantes naquela mobilização tornou-se um dos registros históricos da presença dos maçons na vida comunitária taquaritinguense.

Outro episódio lembrado remonta ao período da Gripe Espanhola. Segundo os registros históricos apresentados pela própria Loja, suas instalações chegaram a ser utilizadas como enfermaria para atendimento de pessoas atingidas pela epidemia.

O episódio é apontado pela instituição como exemplo da aplicação prática dos princípios de auxílio e solidariedade defendidos pela Maçonaria, especialmente em um momento de emergência sanitária enfrentado pela população.

Distinções reconhecem trajetória da Oficina

A longevidade da Líbero Badaró também resultou em reconhecimentos concedidos dentro da estrutura maçônica. A Loja registra três importantes distinções recebidas ao longo de sua história.

Em 1988, recebeu o título de Grande Benfeitora da Ordem. Três anos depois, em 1991, foi agraciada com a Estrela da Distinção Maçônica. Já em 1998, quando completou seu centenário, recebeu a Cruz da Perfeição Maçônica.

As homenagens integram a identificação institucional da Oficina e representam o reconhecimento, no âmbito da Ordem, ao trabalho realizado por diferentes gerações de membros.

A própria celebração dos 128 anos foi conduzida sob essa perspectiva histórica. A Sessão Magna buscou estabelecer uma ligação entre os fundadores de 1898 e os atuais integrantes, recuperando personagens e acontecimentos que ajudaram a construir a identidade da Loja.

Memória e continuidade marcam celebração

Ao completar mais de um século de funcionamento, a Líbero Badaró chega a 2026 com uma história que acompanha boa parte da própria formação de Taquaritinga contemporânea. São 128 anos de atividade, período que atravessa diferentes momentos políticos, econômicos e sociais do Brasil e do município.

Durante a solenidade, a preservação da memória foi tratada como elemento fundamental para a continuidade da instituição. A compreensão apresentada é de que uma Loja histórica não se resume ao edifício, aos documentos ou aos símbolos que preserva, mas também às sucessivas gerações que participaram de suas atividades.

Sob a condução do Venerável Mestre Renato Cesar Davoglio, a atual gestão celebrou, portanto, não apenas a permanência da instituição, mas o legado recebido dos membros que a antecederam.

A presença de representantes de diferentes setores do GOB e do GOB-SP também conferiu caráter institucional à comemoração e marcou o reconhecimento dos 128 anos de atividade da Oficina de Taquaritinga.

Desde aquela primeira reunião realizada na residência de Guilherme Funari, em maio de 1898, passando pelo reconhecimento oficial em outubro daquele ano, pela participação de integrantes em mobilizações comunitárias e pelos diferentes reconhecimentos recebidos ao longo das décadas, a Líbero Badaró nº 625 construiu uma trajetória diretamente vinculada à memória local.

Nesse contexto, a Sessão Magna de 2 de outubro representou um encontro entre passado e presente. Ao recordar os fundadores, as ações sociais e os Obreiros que passaram pela instituição, os atuais membros também reafirmaram o propósito de preservar essa história para as próximas gerações.

Aos 128 anos, a Líbero Badaró permanece em atividade em Taquaritinga, mantendo sua vinculação ao Grande Oriente do Brasil e ao GOB-SP. Uma história iniciada ainda em Ribeirãozinho e que, mais de um século depois, continua registrada na trajetória institucional e social do município.