Por: Lucas Fanelli*
Olá caro leitor, espero que esteja bem. Hoje vamos falar sobre contos de fadas, mais precisamente sobre o livro Conto de Fadas do meu querido Stephen King em que ele apresenta Charlie Reade, um adolescente comum que herda uma missão nada comum! Cuidar de um cachorro idoso e descobrir um portal para outro mundo escondido no quintal do vizinho. Lá, ele encontra um reino devastado por uma força sombria, criaturas bizarras e uma aventura que mistura fantasia clássica com o estilo inconfundível do autor. Entre princesas amaldiçoadas, vilões grotescos e dilemas morais, Charlie precisa decidir que tipo de herói está disposto a ser.
Stephen King resolveu escrever fantasia. E não aquela fantasia cheia de elfos brilhantes e magos que falam em charadas. Não. Ele decidiu escrever a fantasia que só ele poderia imaginar: um conto de fadas que parece ter sido deixado no sol por tempo demais, derretendo até virar algo deliciosamente estranho.
A primeira metade do livro é praticamente um drama sobre um adolescente que vira cuidador de um cachorro. E, sinceramente, eu leria 500 páginas só disso. King descrevendo um cachorro é melhor do que muito autor descrevendo batalhas épicas. O homem escreve um latido com mais emoção do que muito protagonista de romance.
Mas aí, claro, ele lembra que é Stephen King. E Stephen King não consegue ver uma porta misteriosa sem pensar: “E se isso levasse a um mundo paralelo cheio de criaturas que parecem saídas de um pesadelo depois de comer feijoada às três da manhã?”. Resultado: Charlie atravessa o portal e a história vira uma mistura de O Mágico de Oz com A Torre Negra e um toque de “não sei o que estou lendo, mas estou gostando”.
O reino mágico é sombrio, decadente e cheio de metáforas sobre poder, corrupção e, provavelmente, sobre como ninguém mais sabe escrever finais decentes (inclusive ele mesmo, segundo seus críticos mais fiéis). Mas, justiça seja feita, Conto de Fadas tem um dos finais mais satisfatórios que King já entregou. Não perfeito, claro. Perfeição não existe, especialmente em livros de 700 páginas.
O humor involuntário aparece quando percebemos que Charlie, um adolescente comum, enfrenta monstros e tiranos com a mesma energia de quem enfrenta fila de banco: resignado, mas determinado. E funciona. A fantasia ganha um charme estranho justamente porque não tenta ser épica demais. É como se King dissesse: “Relaxa, eu sei que você já leu isso antes, mas deixa eu te mostrar do meu jeito”.
No fim, Conto de Fadas é um livro sobre coragem, perda, amizade e, acima de tudo, sobre como um cachorro pode ser o verdadeiro herói da história. Porque, convenhamos, se tem algo que Stephen King faz melhor do que assustar, é nos fazer amar personagens que nem humanos são.
Se você gosta de fantasia clássica, talvez estranhe. Se gosta de Stephen King, vai se sentir em casa. E se gosta de cachorros, prepare-se para sofrer.



