Por: Rodrigo Panichelli*
E a Copa do Mundo começou.
E a estreia do Brasil já veio daquele jeito que o torcedor conhece bem: com cara de filme. Um pouco de terror, algumas cenas de suspense e um final que tentou flertar com superação.
Porque Copa do Mundo não entrega roteiro lógico. Entrega teste cardíaco.
Mas uma coisa ficou evidente logo nos primeiros minutos: ainda tem gente parecendo não ter desembarcado na competição.
E estou falando de jogador mesmo.
Tem atleta que parece entrar em campo carregando o peso de um país. Tem outro que parece carregando notificações do celular.
Paquetá ainda parece buscar o próprio jogo. Raphinha dá a sensação de que ainda procura a Copa que esperavam dele. Não é questão de talento — porque isso eles têm de sobra — mas Copa do Mundo não espera ninguém entrar no ritmo.
Ela atropela.
E para quem acompanha futebol só de quatro em quatro anos, já fica o aviso: aqueles gols perdidos pelo Igor Thiago podem até parecer inacreditáveis.
Mas quem acompanha sabe que, onde ele atua, isso acontece. O problema é que seleção brasileira muda escala de cobrança.
Aqui o erro vale replay infinito.
Na seleção o torcedor cobra mais um atacante perder gol do que cobra muita promessa feita em campanha.
E por falar nisso…
Quantos políticos no estádio.
Cada um faz da própria vida o que quiser. Pode ser sonho de infância. Pode ser momento pessoal. Pode ser paixão por futebol.
Mas em ano de eleição o estádio vira arquibancada e vitrine ao mesmo tempo.
E aí cada torcedor interpreta do jeito que quiser.
Só que o jogo continua.
A próxima parada parece mais tranquila no papel.
Mas Copa do Mundo ensina há décadas que papel não corre, não marca e não entra dividido.
Se o Brasil entrar dormindo…
O Haiti é logo ali.
Ou melhor…
O Brasil é logo ali, como diz a música.
E aí o voo de volta chega mais cedo e a gente fica em maus lençóis.
Porque Copa não perdoa sobrenome.
Copa não respeita currículo.
Copa só pergunta uma coisa:
Quem quer continuar sonhando?
E o Brasil precisa responder isso dentro de campo.



