Por: Lucas Fanelli*
Olá caros leitores, espero que vocês estejam bem!! Hoje quero indicar a vocês um outro calhamaço que me prendeu muito bem por sua incrível proposta diferente. A vida invisível de Addie Larue da V. E. Schwab é profundo e tocante.
Addie em um momento de desespero acaba fazendo um pacto para se ver livre da vida limitada que ela tinha. Acontece que o pacto vinha com algumas regras. Addie queria liberdade e quem concedeu seu desejo disse que o que limita os seres humanos são outros seres humanos, então ela seria imortal, mas ninguém se lembraria dela. Por não poder ser lembrada por ninguém, Addie não consegue deixar sua marca no mundo e tudo o que ela constroi é desfeito em poucos segundos. A pessoa que ela está conversando, no momento em que vira de costas, apaga Addie completamente de sua memória. Com isso, Addie não consegue nem ter um relacionamento duradouro, pois a pessoa em que ela se relaciona à noite esquece dela automaticamente ao adormecer.
O livro é extremamente bem escrito e acompanha Addie durante os séculos, mostrando sua adaptação com a mudança cultural e como seu conhecimento adquirido ao longo dos anos ajuda ela atualmente. As passagens e as lembranças da vida passada dela fazem você se tornar o único amigo que Addie pode ter e que não irá esquecer dela ao virar para a próxima página.
Durante a leitura a sensação e o medo de um dia esquecer Addie parecem reais, pois não é possível que uma pessoa tão incrível possa ser esquecida assim, sem mais e nem menos, mesmo sabendo que esse é o acordo firmado. A cada capítulo você espera por uma brecha na regra, por uma pessoa que lembre dela, por uma marca registrada que irá durar anos e que prove que Addie existe.
Você estaria disposto a firmar o mesmo acordo? Trocaria a lembrança da sua existência pela liberdade plena? Muitas aventuras da Addie provam que existe sim um ponto positivo na liberdade plena, mas outras me deixaram receoso em não haver certa estabilidade em sua vida.
Espero que o texto seja suficiente para fazer você, querido leitor, querer conhecer mais a Addie Larue e descobrir se ela conseguirá deixar sua marca no mundo e aqui vai um leve spoiler: Addie descobre algo mais poderoso que a lembrança, capaz de mover uma sociedade inteira e que é tão forte que foge das regras do seu acordo.
É justamente nesse ponto que o livro se torna ainda mais especial. A narrativa nos convida a refletir sobre o que realmente significa existir. Será que somos apenas o que os outros lembram de nós? Ou há algo mais profundo, que transcende a memória e se manifesta nas ideias, nas emoções e nas transformações que provocamos? Addie, com sua coragem silenciosa e persistência quase poética, nos mostra que mesmo quando ninguém se lembra do seu nome, o impacto de sua presença pode ecoar por gerações. É uma leitura que toca o íntimo, que nos faz questionar nossa própria marca no mundo e como queremos ser lembrados ou sentidos.
*Lucas Fanelli é apaixonado por livros e colaborador de O Defensor.



