O Carnaval é do povo
Por: Léo Oliverio*
O Carnaval de Taquaritinga sempre foi mais do que uma simples festa: é uma manifestação cultural que pulsa na veia do município e que, ao longo de décadas, se consolidou como um dos grandes eventos do interior paulista. E na edição que se aproxima, entretanto, é impossível não notar um certo ar de apatia — a movimentação parece menor, o entusiasmo menos contagiante, e a festa, de fato, parece não refletir o brilho histórico que sempre a caracterizou.
Este sentimento não é apenas pessoal. Reflete um contexto em que o Poder Público se inviabiliza como protagonista absoluto da organização, sobretudo em um momento de restrições orçamentárias, demandas por segurança e expectativas cada vez maiores por parte do público e dos investidores. Taquaritinga tem um Carnaval tradicional, com blocos, trios elétricos, escolas de samba e eventos diurnos e noturnos, que em 2025 atraíram mais de 150 mil foliões e movimentaram cerca de R$ 2 milhões na economia local, de acordo com a imprensa regional — um impacto relevante para uma cidade do interior paulista.
O argumento central aqui é claro: o modelo atual — em que a prefeitura assume, simultaneamente, os ônus e limitações da organização — está esgotado. A festa cresceu, tomou espaço social e econômico, e hoje exige uma coordenação com capacidade de negociar melhor com forças de segurança, com promoção cultural, com blocos e com empresários. A solução poderia estar na transferência de parte da responsabilidade para iniciativa privada ou organizações populares, como ligas de blocos e escolas, por meio de editais públicos e contratos bem desenhados. Nesses modelos, o público, responsável direto pela festa, teria voz e participação mais efetiva, como se vê em outras cidades menores que conseguiram manter carnavais vibrantes mesmo em contextos econômicos difíceis.
Sem uma estrutura forte — com orçamento, negociação e planejamento — a festa corre o risco de perder fôlego. A cena na esquina das ruas Visconde do Rio Branco e General Glicério, que em 2025 havia ganhado projeção com o chamado Palco Jardineira — apoiado por investimentos privados, telões e apresentações — hoje parece apenas um palco deslocado no meio do quarteirão, com poucas atrações e encerrando cedo. Essa situação tem origem em decisões administrativas que tornaram onerosa a presença de patrocinadores, com a ameaça de taxação individual de propaganda que afugentam investimentos. A prefeitura parece relutante em assumir riscos como promotora, mas extremamente zelosa ao cobrar por cada centímetro de visibilidade e propaganda — uma contradição que enfraquece a festa.
O impacto dessa situação é mais profundo do que parece. Em grandes centros como São Paulo, por exemplo, o Carnaval movimenta bilhões de reais e contribui para milhares de empregos — só em 2025 foram registrados números na casa dos R$3,4 bilhões em impacto econômico direto, com milhões de participantes e grande envolvimento de patrocinadores privados. Isso mostra que, quando a festa é bem organizada e aberta ao mercado, os benefícios sociais e econômicos podem ser exponenciais.
Em Taquaritinga, vemos um momento de desalento da comunidade, reflexo de limitações administrativas (nas finanças e criatividade) e da falta de um modelo sustentável de festa. Isso desanima o cidadão, reduz o brilho do Carnaval e, pior, afasta o público e os investimentos que poderiam impulsionar a economia local no período.
Mais do que nunca, cabe à população — os verdadeiros donos do Carnaval — cobrar mudanças. Uma festa que é parte do calendário cultural e que, historicamente, reúne famílias, blocos, músicos, artistas e visitantes merece mais do que gestos burocráticos: merece planejamento, ousadia e parcerias efetivas.
A imprensa local e regional também tem papel crucial: não apenas relatar, mas fomentar a festa, amplificando sua importância econômica, social e cultural. Quanto maior o público e o interesse, mais o dinheiro circula, mais investidores surgem, mais a máquina pública e privada se coordena, e mais forte é o impacto positivo para Taquaritinga.
E lembre-se:



