terça-feira, 21 abril, 2026

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Artigo: As Copas que Vi e Vivi: México 1986

Por: Rodrigo Panichelli*

Trinta e nove anos se passaram desde que vi pela primeira vez uma Copa do Mundo.
Era 1986, eu tinha apenas seis anos, e o futebol começava a se transformar não só no esporte que o mundo parava pra ver, mas na trilha sonora da minha vida.

De lá pra cá, tudo mudou.
As Copas ganharam mais seleções, os uniformes ficaram mais tecnológicos, os jogos mais velozes, e até os narradores mudaram o tom. As figurinhas deixaram de ter cheiro de cola e álbum amassado pra virar aplicativo, e o futebol — aquele que cabia numa tarde de domingo com a família reunida — virou espetáculo global, cercado de câmeras, estatísticas e polêmicas.

Mas naquela de 86… ah, aquela foi do futebol arte e do drama.
Maradona reinava como um Deus e um vilão ao mesmo tempo. A “Mão de Deus” o colocou pra sempre na história, mas foi o que fez com os pés que o transformou em lenda.
Mesmo assim, pra mim, o jogo mais marcante não foi a final entre Argentina e Alemanha — que, aliás, considero até hoje uma das melhores de todas as Copas — mas sim Brasil e França, nas quartas de final.
Um duelo de gigantes. De um lado os Três Mosqueteiros, Platini, Tigana e Giresse. Do outro, os canarinhos, Sócrates, Zico, Careca, Júnior, e um futebol que encantava o mundo.

Lembro como se fosse ontem: cada jogo do Brasil era festa em casa. A vizinhança inteira parava. E quando o Brasil foi eliminado nos pênaltis… eu chorei tanto que fui parar no hospital, com febre e tudo.
Achava, na minha inocência de criança, que os rojões que estouravam eram de gente torcendo contra. Anos depois descobri que eram apenas os rojões que sobraram — e talvez, de alguma forma, o som da frustração de um país inteiro.

México 86 me ensinou o gosto amargo da derrota, mas também o encanto de ver o impossível acontecer dentro de um campo de futebol.
E, por mais que o tempo tenha passado, toda vez que revejo aquele chute do Zico defendido por Joel Bats, lembro que o futebol é isso: emoção, injustiça e paixão.

Essa foi a primeira das dez.
A Copa que me fez apaixonar por tudo isso.
A próxima parada? Itália, 1990 — o Mundial que provou que nem toda Copa é bonita… mas toda Copa deixa uma marca.

* Rodrigo Panichelli é apaixonado por futebol e colaborador de O Defensor.

**Os artigos publicados com assinatura não manifestam a opinião de O Defensor. A publicação corresponde ao propósito de estimular o debate dos problemas municipais, estaduais, nacionais e mundiais e de refletir as distintas tendências do pensamento contemporâneo.