Por: Tainara Ferreira*
Em tempos de eleição, o Brasil costuma ficar totalmente dividido: nas redes, nas mesas de almoço, nos grupos de família e até mesmo nos grupos de amigos. A polarização cansa, afasta pessoas e faz muita gente pensar em ficar de fora. Mas, afinal, qual é o papel de quem ama a leitura num momento tão importante como esse?
A verdade é que a democracia não se sustenta sozinha. Ela depende de cidadãos informados, atentos e dispostos a participar, e o voto é a forma mais concreta de fazer isso. Não votar, anular ou deixar a decisão na mão dos outros também é uma escolha, com consequências para todos nós. E a literatura, que nos ensina a pensar criticamente e a nos colocar no lugar do outro, é uma ótima companheira nesse caminho.
Não vou esconder: meu voto é 13. Acredito que a escolha de cada um deve ser feita com consciência e responsabilidade, e é por isso que o convite deste texto vale para qualquer eleitor. O que importa é ir, e ir bem informado, tendo em mente que o mundo vai muito além da nossa própria bolha, que existem realidades diferentes da nossa, que pensar no coletivo sempre vai importar.
Para começar, separei alguns livros que ajudam a entender como a democracia funciona, como ela é ameaçada e por que vale a pena protegê-la:
- 1984 — George Orwell (1949): O clássico sobre um governo que vigia, manipula a informação e reescreve a história. Um alerta sobre o que acontece quando a verdade deixa de importar.
- A Revolução dos Bichos — George Orwell (1945): Em uma fábula curta e acessível (ótima para quem está começando), os animais de uma fazenda se rebelam contra o dono, até que o poder corrompe os novos líderes. Leitura rápida e inesquecível.
- Fahrenheit 451 — Ray Bradbury (1953): Numa sociedade onde os livros são queimados, a obra mostra como a censura e a distração constante podem enfraquecer o pensamento crítico. Tem tudo a ver com o nosso tempo de excesso de informação.
- Como as Democracias Morrem — Steven Levitsky e Daniel Ziblatt (2018): Para quem prefere não ficção, os cientistas políticos mostram que as democracias hoje costumam enfraquecer aos poucos, por dentro e dentro das regras, e não apenas por golpes repentinos.
- Ensaio sobre a Cegueira — José Saramago (1995): Quando uma epidemia de cegueira atinge toda a população, o livro expõe o que há de pior e de melhor na humanidade. Um mergulho na importância da empatia e da responsabilidade coletiva.
Dica Bônus: Ensaio sobre a Lucidez (2004), também de Saramago, imagina uma capital em que a maioria dos eleitores vota em branco no mesmo dia. É uma ótima provocação sobre o que o voto significa.
A verdade é que ler não nos diz em quem votar, mas nos ensina a duvidar, a questionar e a valorizar o direito de escolher. Pegue um desses livros, converse com quem pensa diferente e, principalmente, vá votar: a democracia agradece, uma página e um voto de cada vez.




