sábado, 2 maio, 2026

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Artigo: A Vida acontece na Praça

Por: Rodrigo Segantini*

É comum vermos praças e quadras esportivas abandonadas, tomadas pelo mato, pelo lixo e pelo descaso. Durante muito tempo acreditou-se que a conservação dos espaços públicos era uma responsabilidade exclusiva do poder público. Mas o Jardim Maria Luiza, em Taquaritinga, mostra que existe outro caminho — mais bonito, mais eficiente e, acima de tudo, mais humano.

A transformação da conhecida “Praça do Jatobá” é prova viva de que, quando a sociedade civil se organiza, o impossível se torna cotidiano. A iniciativa da ONG “De Mãos Dadas”, que liderou a revitalização da praça e da quadra esportiva do bairro, foi mais do que uma reforma física: foi um gesto de pertencimento e amor coletivo.

Com tinta, crochê, arte e muito trabalho voluntário, a comunidade recuperou um espaço que agora é palco de encontros, eventos, oficinas e, principalmente, de novas histórias. Árvores frutíferas plantadas por crianças, murais coloridos e bancos restaurados servem não só de cenário, mas também de símbolo de um novo tempo, onde a cidadania floresce junto com a natureza.

É nesse tipo de atitude que se constrói uma identidade comunitária forte. Quando a população participa ativamente da conservação de seu bairro, ela se sente parte dele. E quando isso acontece, tudo muda: muda o comportamento, muda o respeito pelo espaço, muda o convívio. Não se destrói aquilo que se ajudou a construir.

Essa lógica lembra a reflexão provocada pelo filme Na Natureza Selvagem (Into the Wild, 2007), dirigido por Sean Penn. A obra narra a história real de Christopher McCandless, um jovem que abandona tudo para viver isolado na natureza. Ao final de sua jornada solitária, ele escreve uma frase que se tornou marcante: “A felicidade só é real quando compartilhada”. A frase, ainda que não esteja registrada em seus diários originais, foi eternizada no filme como síntese de sua descoberta mais profunda — de que a vida ganha sentido no encontro com o outro.

Essa conclusão também é sustentada por diversos pensadores sociais. O sociólogo francês Émile Durkheim, por exemplo, afirmava que o indivíduo só se realiza plenamente no seio da vida coletiva, pois é na convivência e nas instituições sociais que encontramos nossos referenciais de identidade e pertencimento.

Por isso é tão importante que a sociedade reconheça: a praça, a quadra, o jardim… não são apenas estruturas físicas. São extensões da casa comum. Quando cuidados com carinho e ocupados com afeto, esses espaços se tornam o coração pulsante dos bairros. Como se costuma dizer — e agora com ainda mais verdade — a vida acontece na praça.

É justo também destacar o papel da imprensa local nesse processo. O jornal O Defensor não apenas noticiou a revitalização como a acompanhou desde o início, dando visibilidade e apoio contínuo à iniciativa. Num tempo em que a boa notícia parece rarear, o jornalismo que valoriza ações positivas merece ser reconhecido e celebrado.

Que o exemplo do Jardim Maria Luiza inspire outros bairros, outras cidades, outras mãos. Que sigamos juntos, de mãos dadas com o futuro, transformando lugares e, com eles, transformando vidas.

*Rodrigo Segantini é advogado, professor universitário, mestre em psicologia pela Famerp.

**Os artigos publicados com assinatura não manifestam a opinião de O Defensor. A publicação corresponde ao propósito de estimular o debate dos problemas municipais, estaduais, nacionais e mundiais e de refletir as distintas tendências do pensamento contemporâneo.