Por: Igor Sant’Anna*
Sem fiscalização local, não existe mudança nacional, pois na medida que o Brasil se aproxima das eleições 2026, cresce o discurso sobre “mudar o país”, “renovar a política” e “transformar o futuro”, mas há uma verdade incômoda que muitos preferem ignorar: não existe mudança nacional sem fiscalização local.
Não adianta querer mudar o Brasil se o cidadão não fiscaliza nem a própria cidade.
O brasileiro reclama e com razão da política. Reclama de corrupção, de impostos altos, de serviços públicos ruins. Porém, poucos entendem como a máquina pública realmente funciona. Menos ainda acompanham, questionam e fiscalizam o poder onde ele é mais próximo e mais decisivo: o município.
Nepotismo, contratos suspeitos, cargos comissionados, orçamentos inflados, licitações direcionadas, nomeações políticas. Nada disso nasce em Brasília. Tudo isso acontece diariamente nas prefeituras e câmaras municipais espalhadas pelo país. É ali que o dinheiro do cidadão é gasto ou desperdiçado.

O problema do Brasil não é apenas quem governa mal.
É um sistema que aprendeu a funcionar sem vigilância, porque descobriu que ninguém olha, ninguém cobra e quase ninguém entende.
Criou-se uma cultura onde o discurso vale mais que a gestão, onde a narrativa substitui os resultados e onde a incompetência se esconde atrás da desinformação do cidadão. Quando o povo não fiscaliza, o mau gestor prospera.
Democracia não é apenas votar a cada quatro anos.
Democracia é acompanhar, questionar, exigir transparência, entender como funcionam os orçamentos, as leis, os contratos e as decisões administrativas. É saber onde o dinheiro público entra e, principalmente, para onde ele sai.
Quem domina o básico da gestão pública deixa de ser refém de discursos vazios. Passa a pressionar, cobrar resultados e impedir abusos. Passa a votar melhor e a exigir mais de quem se candidata.
Nesse ano o Brasil precisará decidir se continuará refém de promessas ou se escolherá a maturidade cívica. Não existe candidato salvador em um país onde o cidadão abre mão do seu papel fiscalizador. O poder só se desvia quando ninguém o observa.
Gestão pública não é palco.
Gestão pública é método, regra, processo e controle.
Se o eleitor quer um Brasil melhor em 2026, o primeiro passo não está em slogans nacionais, mas na vigilância diária do próprio município. É ali que a política começa. E é ali que ela pode finalmente mudar.
*Igor Sant’Anna é colaborador de O Defensor.
**Os artigos publicados com assinatura não manifestam a opinião de O Defensor. A publicação corresponde ao propósito de estimular o debate dos problemas municipais, estaduais, nacionais e mundiais e de refletir as distintas tendências do pensamento contemporâneo.



