quarta-feira, 15 abril, 2026

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Artigo: A hora dos monstros

Por: Luís Bassoli*

O intelectual marxista italiano, Antonio Gramsci, cunhou, no início do sec. 20, a célebre frase: “O velho mundo está morrendo e o novo mundo luta para nascer; agora é a hora dos monstros”. A tese é oportuna para a situação contemporânea.

Dos grandes impérios da História, o estadunidense poderá ser o de menor duração: o Império Romano durou 1.500 anos; o Otomano, 600 anos; o Britânico, 400 anos. O Império Americano, grosso modo, começou ao fim da 2.ª Guerra, com auge nos anos 1990, no desmantelamento da União Soviética, e começou a ruir, de forma deliberada, após o 11 de Setembro de 2002, com a invasão do Iraque, sem autorização da ONU, em 2003, que abalou sua imagem de “líder do mundo livre”.

A criação das prisões de Abu Ghraib (Iraque) e Guantânamo (base americana incrustada em Cuba), para onde os prisioneiros eram levados, sem acusação formal, sem direito a advogados e submetidos à tortura, foi seguida pelo desmantelamento da Corte Internacional de Justiça da ONU e do Tribunal Penal Internacional – o Direito foi sendo “trocado” pela genérica expressão “mundo baseado em normas”, cujas regras são feitas pelos próprios EUA. O genocídio em Gaza foi crucial para o fim do Direito Internacional, com a impunidade do governo de Israel pelos crimes contra a humanidade. O sequestro de Nicolas Maduro foi a “pá de cal”: Trump anunciou que, a partir de agora, vale a “lei do mais forte”.

Em dezembro, a Casa Branca divulgou a Nova Estratégia de Segurança, que remete à Doutrina Monroe, do séc. 19, “A América para os americanos”, ou seja, os EUA admitem o ocaso de seu domínio global, com recuo à sua área de influência. Na quinta-feira (8/01), Washington anunciou a retirada de 60 agências internacionais, 30 da ONU, como Empoderamento das Mulheres e Mudança do Clima.

A China tem, reiteradamente, propalado que não quer “substituir” os EUA como potência hegemônica global, e sim liderar um novo mundo multipolar, com parcerias econômicas, inclusive com os EUA, sob a égide dos BRICS e da Organização para Cooperação de Xangai (OCX).

Trump assumiu se dizendo o “presidente da paz”, reivindicando até o Prêmio Nobel, mas já atacou sete países: Irã, Iraque, Síria, Iêmen, Somália, Nigéria e Venezuela, além de manter o engajamento contra a Rússia na guerra da Ucrânia.

O trumpismo faz a “hora dos monstros”, enquanto o novo mundo multipolar nasce e o velho mundo unipolar ainda não morreu.

(Com: Pepe Escobar; Poder360; CNNBrasil e agências).

*Luís Bassoli é advogado e professor de Geopolítica.

**Os artigos publicados com assinatura não manifestam a opinião de O Defensor. A publicação corresponde ao propósito de estimular o debate dos problemas municipais, estaduais, nacionais e mundiais e de refletir as distintas tendências do pensamento contemporâneo.