sábado, 15 agosto, 2026
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Artigo: O Frankenstein que existe em nós

Por: Nádia Araujo*

Uma das minhas músicas preferidas é do grupo Novos Baianos. E, se os meus amigos me permitem (só para confirmar: ainda somos amigos, não é?), quero lhes mostrar por que essa canção tem um espaço tão especial no meu coração:

“Vou mostrando como sou

E vou sendo como posso

Jogando meu corpo no mundo

Andando por todos os cantos

E pela lei natural dos encontros

Eu deixo e recebo um tanto…”

Pense comigo, caro leitor: nós somos feitos de fragmentos de todas as pessoas que cruzaram nossos caminhos. Não apenas daqueles que nos criaram e nos apresentaram o mundo através de suas próprias lentes, mas de amigos, colegas, professores e até de pessoas de quem não gostamos muito.

Vou dar alguns exemplos pessoais: eu gosto de pagode porque uma amiga muito querida, na infância, amava e passávamos as tardes da nossa adolescência ouvindo Exaltasamba. Ao mesmo tempo, tive um tio muito especial que amava forró, principalmente a Banda Djavu. Na época, devo confessar que eu não gostava muito, pois precisava sustentar minha “personalidade emo”, mas hoje essas músicas me transportam para uma época muito feliz. Na mesma prateleira da memória, Britney Spears e Black Eyed Peas enchiam meu MP3 porque minhas melhores amigas as ouviam sem parar.

Tive um professor no ensino médio que me fez interessar por química; ele tinha um jeito engraçado e único de ensinar. Amo comida japonesa porque meu namorado ama e, ao mesmo tempo, a comida nordestina me traz toda a afetividade da minha família. Aprendi com o saudoso Sensei Edson Kawahara que eu aprendia muito mais na derrota do que na vitória.

E também temos os fragmentos daquelas pessoas que, digamos assim, não foram tão bacanas conosco. Costumo dizer que elas nos ensinam exatamente o que não fazer. E isso não é maravilhoso? Bom, eu acho. Deve ser meu signo que me deixa assim, melancólica.

Mas acredito que seja de uma riqueza sem tamanho podermos fazer essas trocas. Elas enriquecem a alma, nos moldam e nos fazem evoluir. Agora, para você que está lendo isso — amigos, família, colegas, você que, de alguma forma, teve contato comigo: muito obrigada por deixar um pouco de você em mim. Se hoje estou aqui, tendo a oportunidade de executar algo que amo, é graças a vocês.

O meu muito obrigada.

*Nádia Araujo é colaboradora d’O Defensor.