sábado, 15 agosto, 2026
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Artigo: Por onde começar? 4 clássicos descomplicados para perder o medo da Literatura

Por: Tainara Ferreira*

É quase uma reação automática: quando o assunto é Literatura Clássica, muita gente torce o nariz. E com certa razão. Afinal, a fama que esses livros carregam costuma envolver linguagens arcaicas, vocabulário complexo, páginas infinitas e enredos que parecem distantes da nossa realidade. Com tudo isso, é natural que o gênero acabe assustando até mesmo os leitores mais assíduos.

No entanto, a verdade é que os clássicos não se tornaram atemporais por serem difíceis, mas sim porque tocaram em sentimentos que todos nós compartilhamos. O intuito desta lista é justamente provar que a literatura clássica não precisa ser inacessível e muito menos entediante.

Abandone os velhos preconceitos e dê uma chance a pelo menos uma destas obras. Prometo que você não vai se arrepender:

  1. O Pequeno Príncipe — Antoine de Saint-Exupéry (1943)

Considerado um dos maiores fenômenos da literatura mundial, o livro conta com apenas 96 páginas e traz as belíssimas ilustrações originais do autor. Embora à primeira vista pareça uma história destinada ao público infantil, a obra encanta e emociona leitores de todas as idades. Ao acompanhar a jornada do jovem príncipe por diferentes planetas, somos levados a reflexões profundas sobre a inocência perdida, a solidão, o afeto e a rigidez com que passamos a olhar o mundo ao chegar à vida adulta.

  1. O Diário de Anne Frank — Anne Frank (1947)

O emocionante relato real de uma adolescente que viveu em um esconderijo secreto em Amsterdã tornou-se um dos livros mais lidos e impactantes da história. Ao longo das páginas, acompanhamos não apenas os horrores da Segunda Guerra Mundial, mas também os pensamentos, os sonhos e o amadurecimento precoce de uma jovem de apenas 13 anos forçada a crescer em meio ao caos. É uma leitura extremamente fluida, intimista e indispensável para compreender o impacto humano do Holocausto.

  1. O Meu Pé de Laranja Lima — José Mauro de Vasconcelos (1968)

Com forte inspiração autobiográfica, este marco da literatura brasileira conta a história do pequeno Zezé, um garoto de 6 anos dotado de uma imaginação ágil e de uma sensibilidade fora do comum. Ambientado no Rio de Janeiro, o livro equilibra a inocência das descobertas infantis com duras reflexões sobre a vulnerabilidade e a desigualdade social no Brasil. É uma obra incrivelmente sensível, tocante e impossível de ler sem se emocionar.

  1. Antes do Baile Verde — Lygia Fagundes Telles (1970)

Para quem prefere leituras mais dinâmicas, esta coletânea de contos de uma das maiores autoras da nossa literatura é a escolha perfeita. Em pouco mais de 200 páginas, Lygia mergulha com maestria no cotidiano da classe média brasileira, abordando temas como conflitos amorosos, solidão, aparências e até pequenos toques de suspense e loucura. Como o livro é dividido em histórias curtas e independentes, a leitura ganha um ritmo muito leve, permitindo pausas sem perder o fio da meada.

Dica Bônus: Se quiser experimentar um clássico de narrativa curta e impactante, vale dar uma chance ao famoso A Hora da Estrela (1977), de Clarice Lispector. Com uma linguagem simples, mas profundamente poética, o livro acompanha a vida da datilógrafa alagoana Macabéa no Rio de Janeiro e é uma excelente porta de entrada para o universo da autora.

A verdade é que ler um clássico não precisa ser um ato de obrigação ou um fardo dos tempos da escola; pode — e deve — ser uma experiência de puro prazer e descoberta. O segredo está apenas em encontrar a porta de entrada ideal para o seu ritmo atual de leitura.

*Tainara Ferreira é colaboradora d’O Defensor