sábado, 26 setembro, 2026
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Pensando alto: Até para sonhar, você precisa de repertório

Por: Nadia Araujo*

Oi, amigo leitor.

Desculpa o sumiço. Eu estava andando pelo vale da sombra da morte: sendo adulta em setembro de 2026: política, acontecimentos climáticos, crises econômicas e sociais e, ainda por cima, tendo que manter uma boa alimentação e me exercitar com frequência. Cansativo, viu?

Você sabe o que é repertório?

Por muito tempo, achei que repertório era coisa de pessoas com certa influência, algo que pessoas comuns não poderiam acessar. Fui apresentada a essa palavra há seis anos por uma das minhas pessoas favoritas, que, diga-se de passagem, é uma pessoa com um vasto repertório de vida, apesar da pouca idade.

Segundo a IA do Google, repertório significa um conjunto de conhecimentos, referências, dados ou músicas que uma pessoa acumula e utiliza para fundamentar uma argumentação ou realizar uma apresentação. Para mim, como já disse em outro texto, repertório é o “tanto” que deixamos e recebemos em todas as nossas experiências.

No ano passado, ouvi algo sobre isso que mudou a forma como enxergo a vida. Um professor disse: “Como você vai sonhar em trabalhar em uma agência em Nova York se você nem sabe que ela existe? Até para sonhar, precisamos de repertório.”

Realmente, nunca pude sonhar em escrever para uma coluna ou ter um emprego legal, onde pudesse usar minhas camisetas engraçadinhas, porque eu não sabia que essas possibilidades existiam. Eu não conhecia ninguém que já estivesse vivendo isso.

Essa minha pessoa preferida (vulgo Ricardo Branco, vulgo o meu amor – e recomendo fortemente que você o siga nas redes sociais) tem uma frase que carrego comigo: “Tudo é aula para o olho treinado”.

Poético, né?

Minha vida melhorou significativamente quando comecei a enxergar tudo como aula, seja para aprender o que fazer ou o que não fazer, porque também aprendemos muito com os erros dos outros.

Então, caro leitor, venho hoje te fazer um convite: treine seu olho. Busque repertório fora da sua bolha. Dê uma chance a temas de que você não gosta muito, a princípio. Observe as pessoas, os lugares, as profissões, os livros, as músicas, as conversas e até aquilo que, em um primeiro momento, parece não ter nada a ver com você.

E sonhe sonhos novos.

Às vezes, a sua vida dos sonhos ainda não te encontrou porque você ainda está preso nessa vida de agora.

*Nadia Araujo é colaboradora d’O Defensor.

**Os artigos publicados com assinatura não manifestam a opinião de O Defensor. A publicação corresponde ao propósito de estimular o debate dos problemas municipais, estaduais, nacionais e mundiais e de refletir as distintas tendências do pensamento contemporâneo.