Por: Nadia Araujo*
“Jogue com responsabilidade”. Será que essa mensagem é realmente suficiente?
Para um influenciador milionário, que posta essa frase entre um clique em Nova York e um jantar de luxo, ela parece ser mais do que o bastante. Mas será que para o público dele, que sonha em fechar o mês com pelo menos cem reais de reserva, essa frase serve de alguma coisa?
Afinal, esse mesmo influenciador está ali, o tempo todo, dizendo que construiu um império com apostas. E nós, com anos de carteira assinada e doze horas por dia fora de casa, olhamos para aquilo e sentimos que nunca vamos chegar nem perto. A promessa do atalho é tentadora demais para quem está cansado de caminhar.
Tem uma galera arriscando o dinheiro de uma vida e, muitas vezes, a própria vida enquanto alguém que você nunca viu além desse retângulo na palma da sua mão, diz com um sorriso no rosto: “Joga quem quer”.
Mas quem “quer” quando a alternativa é a escassez? Quem “quer” quando a esperança foi sequestrada por algoritmos de cassino?
A responsabilidade não pode ser apenas de quem joga; ela precisa ser, principalmente, de quem vende a ilusão de que a sorte é um plano de carreira. No fim das contas, enquanto o influenciador celebra o lucro da publicidade, o prejuízo de quem acreditou não cabe em uma legenda de aviso. É hora de pararmos de apostar a nossa dignidade no jogo de quem já ganhou às nossas custas.



