terça-feira, 4 agosto, 2026

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Jogando Limpo – A Copa acabou. E agora?

Por: Rodrigo Panichelli*

A Copa do Mundo acabou.

A Espanha levantou a taça pela segunda vez e entrou, de vez, no grupo das seleções que deixaram de ser promessa para se tornarem potência. Campeã com méritos. A melhor equipe do torneio. Futebol moderno, coletivo, intenso e, acima de tudo, corajoso.

Uma semana depois da final, a emoção dá espaço à razão.

E é justamente aí que começam as melhores conversas sobre futebol.

A Argentina chegou à decisão jogando um futebol competitivo, intenso, com personalidade. Mas na final… parecia outra seleção. Apática. Sem reação. Sem a fome que mostrou durante toda a competição.

Impossível não lembrar da Seleção Brasileira de 1998. Aquela da final contra a França. O misterioso episódio envolvendo Ronaldo Fenômeno horas antes da partida.

Não estou dizendo que aconteceu algo parecido. Apenas faço a pergunta que muitos fizeram assistindo à decisão: onde estava aquela Argentina que encantou durante a Copa?

No futebol, nem sempre a melhor versão de um time entra em campo.

E falando em Brasil…

Quem é o culpado? O treinador? Os jogadores? Os dois?

Ou será que estamos procurando culpados quando o problema é muito maior?

Talvez a raiz esteja bem antes da convocação.

Na formação. Na base.Na forma como revelamos nossos talentos.

Quantos meninos realmente bons ficam pelo caminho?

Quantos vestem a camisa errada por não terem o empresário certo?

Quantos sonhos acabam antes mesmo da oportunidade aparecer?

Ao mesmo tempo, também é preciso olhar para dentro de campo.

Vivemos uma geração diferente, talvez menos acostumada à cobrança.

No Brasil, vestir a camisa amarela nunca foi apenas jogar futebol. Era carregar uma responsabilidade que passava de geração em geração. Hoje, qualquer crítica parece exagero. Qualquer cobrança vira perseguição.

No fim das contas, talvez não exista um único culpado.

Talvez exista uma soma de pequenos problemas que, juntos, criaram uma grande distância entre o Brasil e o lugar onde sempre acreditamos que deveríamos estar.

A Copa também nos lembra por que o futebol é tão especial.

Meu filho Vicente sentiu a eliminação do Brasil como milhões de crianças sentiram. Ficou inconsolável por alguns dias. E isso fez lembrar uma das histórias mais bonitas do futebol brasileiro.

Depois da derrota na Copa de 1950, Pelé viu seu pai chorar. Ainda menino, fez uma promessa que entrou para a história:

“Não chora, pai. Eu vou ganhar uma Copa do Mundo para você.”

Eu não consegui repetir essa frase para o Vicente.

Disse apenas:

“Teremos outras Copas, filho. E, quem sabe, um dia você possa fazer a diferença.”

Porque o futebol continua sendo o lugar onde sonhos nascem.

Alguns levantam taças, outros apenas aprendem a levantar depois das derrotas.

E talvez esse seja o maior título que o esporte pode oferecer.

Agora a Copa entra para a história, as bandeiras voltam para o armário e as camisas deixam de ser usadas todos os dias.

Os álbuns ficam completos — ou quase.

Mas o futebol não para.

O Brasileirão 2026 está de volta. As rivalidades reaparecem. As discussões mudam de assunto. A paixão continua exatamente no mesmo lugar.

Nossa coluna também retorna depois de um mês intenso. Foram 104 partidas disputadas durante a Copa. Muito futebol, muitas histórias e pouco tempo para escrever.

Agora seguimos juntos, toda semana, olhando para o jogo com paixão, mas sem perder a razão.

Porque, no fim das contas, é exatamente isso que tentamos fazer por aqui.

Jogar limpo.

* Rodrigo Panichelli é apaixonado por futebol e colaborador de O Defensor.

**Os artigos publicados com assinatura não manifestam a opinião de O Defensor. A publicação corresponde ao propósito de estimular o debate dos problemas municipais, estaduais, nacionais e mundiais e de refletir as distintas tendências do pensamento contemporâneo.