Por: Tainara Ferreira*

Por muito tempo, o cânone literário foi escrito majoritariamente por homens. Mulheres que ousavam escrever precisaram driblar preconceitos, assinar com pseudônimos masculinos ou simplesmente ver seu talento ser ofuscado por uma sociedade que não as via como intelectuais. Felizmente, esse cenário vem mudando, mas ainda há um caminho longo pela frente. Um dos jeitos mais simples de contribuir com essa mudança é, literalmente, ler mais mulheres.
Vale mencionar que não se trata de ler autoras “só porque são mulheres”, mas de reconhecer que, historicamente, suas vozes tiveram menos espaço — e que há um universo riquíssimo de talento esperando para ser descoberto (ou redescoberto). Para começar essa jornada, confira na lista a seguir algumas escritoras que atravessam diferentes épocas e estilos:
- Jane Austen (1775–1817): Pioneira ao retratar, com ironia afiadíssima, os dilemas sociais e amorosos das mulheres de sua época. Obras como Orgulho e Preconceito continuam atuais ao expor as pressões do casamento e da posição social feminina, tudo isso escrito por uma mulher que, na época, sequer assinava seus livros com o próprio nome.
- Agatha Christie (1890–1976): A “Rainha do Crime” revolucionou o gênero policial e é, até hoje, uma das autoras mais vendidas da história. Com tramas engenhosas e personagens icônicos como Hercule Poirot, ela prova que literatura de entretenimento também pode ser genial.
- Maya Angelou (1928–2014): Poeta, ativista e memorialista, marcou a literatura com Eu Sei Por Que o Pássaro Canta na Gaiola, relato autobiográfico sobre infância, racismo e superação nos Estados Unidos. Sua escrita une delicadeza e força em doses raras.
- Elena Ferrante (contemporânea): Pseudônimo da autora italiana que guarda sua identidade em segredo até hoje, é responsável pela premiada tetralogia napolitana (iniciada com A Amiga Genial), que retrata com profundidade a amizade feminina, as desigualdades sociais e o amadurecimento de duas mulheres na Itália do pós-guerra.
- Conceição Evaristo (contemporânea): Uma das vozes mais importantes da literatura brasileira atual, escreve sobre raça, gênero e periferia com uma potência única. Becos da Memória e Ponciá Vicêncio são ótimas portas de entrada e trazem reflexões muito necessárias.
- Cecília Meireles (1901–1964): Uma das maiores poetas do modernismo brasileiro, capaz de transformar temas cotidianos em versos de rara sensibilidade e musicalidade.
Da ironia inglesa do século XVIII à poesia periférica brasileira contemporânea, essas seis autoras provam que a Literatura escrita por mulheres é plural, potente e atemporal. Dê uma chance a pelo menos uma delas e descubra como suas histórias podem enriquecer sua estante e sua visão de mundo.




