segunda-feira, 20 abril, 2026

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Jogando Limpo – Minha Seleção de todos os tempos

Camisa 8: Paulo Roberto Falcão

Até aqui, meu time dos sonhos já começa a tomar forma. No gol, Rogério Ceni, o arqueiro que reinventou a posição. Na lateral direita, Leandro, elegância e eficiência raras. A dupla de zaga com o mito italiano Paolo Maldini e o brasileiro Aldair, um complemento perfeito entre técnica e posicionamento. Na lateral esquerda, Roberto Carlos, potência e velocidade em estado puro. E, protegendo essa linha defensiva, o primeiro volante mais “pegador” e fiel à função que vi jogar: Gennaro Gattuso.

E agora chega a vez da camisa 8.

Oito é o número da cadência e da inteligência. É o compasso entre a destruição e a criação, o metrônomo que dita o ritmo do jogo. E, na minha Seleção de Todos os Tempos, esse número só poderia ter um dono: Paulo Roberto Falcão.

Sim, poderia ter escolhido Toni Kroos, que encerra agora uma carreira de passes cirúrgicos como quem borda com agulha de ouro. Ou Iniesta, que transformou o meio-campo em uma obra de arte impressionista, pintando toques curtos e movimentos sutis. Mas a paixão — e a memória afetiva — falaram mais alto.

O Rei de Roma, o maestro colorado, o jogador que encantou duas torcidas apaixonadas com a mesma naturalidade com que recebia a bola no peito e a colocava no pé de um companheiro, sem levantar a voz ou o gesto. Falcão não corria atrás do jogo; ele o fazia correr para ele.

No Internacional, foi a alma de uma geração vitoriosa. Na Roma, virou mito eterno, tão eterno que ainda hoje seu nome ecoa nos cafés e tavernas do Trastevere. E na Seleção Brasileira… ah, na Seleção, foi parte de um dos meio-campo mais poéticos que o futebol já viu, aquele de 1982. Não ganhou Copa, mas ganhou algo que nem a Jules Rimet pode oferecer: o título de jogador inesquecível.

Escolher Falcão é escolher a elegância. É admitir que o futebol pode ser força, sim, mas que antes de tudo é estética, é pensar e executar na mesma fração de segundo. É, acima de tudo, entender que alguns craques não precisam levantar troféus para levantar gerações inteiras de fãs.

Meu camisa 8 é Falcão. Porque, entre a frieza alemã e a genialidade espanhola, o coração brasileiro ainda bate mais forte.