O debate aceso pela denúncia do youtuber Felca expõe um problema urgente: a conivência das plataformas e a necessidade de ação efetiva do Estado e da sociedade
O termo adultização ganhou destaque nacional nos últimos dias, não por modismo, mas por denúncia grave. O humorista e youtuber Felca, em um vídeo de quase 50 minutos, expôs casos de sexualização precoce de crianças e adolescentes nas redes sociais. Os exemplos apresentados não apenas chocam, como revelam a banalização de condutas que, em qualquer contexto ético, deveriam ser tratadas como abuso e exploração.
Entre os citados, aparecem influenciadores e familiares que, deliberadamente, produzem e monetizam conteúdo com apelo sexual envolvendo menores de idade. A engrenagem é alimentada por algoritmos que recomendam e impulsionam tais postagens, enquanto plataformas digitais se beneficiam financeiramente do engajamento gerado. Essa cadeia de conivência fragiliza ainda mais a proteção à infância.
O caso foi além do ambiente digital. A repercussão chegou à Câmara dos Deputados, onde o presidente, Hugo Motta, anunciou que projetos sobre o tema serão pautados com urgência. A mobilização política é positiva, mas, sozinha, não resolverá o problema. É preciso que a legislação seja aplicada com rigor, que haja fiscalização efetiva e que empresas de tecnologia assumam, de fato, a responsabilidade que lhes cabe.
O perigo da adultização não se limita ao presente. Crianças expostas a esse tipo de conteúdo têm maior risco de sofrer abusos, desenvolver transtornos psicológicos e carregar marcas emocionais que podem comprometer toda a vida adulta. Não se trata de censura, mas de proteger quem ainda não tem maturidade para compreender as consequências da exposição pública e sexualizada.
A sociedade, por sua vez, também precisa se olhar no espelho. O consumo desse conteúdo, muitas vezes disfarçado de “entretenimento”, é combustível para que essa indústria persista. Enquanto houver demanda, haverá oferta. E, nesse ponto, todos temos responsabilidade.
A denúncia de Felca serve como alerta. Se quisermos um futuro menos violento e mais humano, é urgente agir agora — unindo famílias, escolas, autoridades, empresas e cidadãos em torno de um objetivo comum: preservar a infância.



