sexta-feira, 15 maio, 2026

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Setor duas rodas: Motos aceleram no Brasil em 2025, mas índices de acidentes ainda preocupam

Vendas de motocicletas crescem impulsionadas pela mobilidade urbana e pelo trabalho por aplicativos, enquanto estatísticas de acidentes revelam desafios para a segurança viária.

O mercado de motocicletas segue em ascensão no Brasil em 2025. Impulsionado pela busca por alternativas econômicas de transporte e pelo aumento do trabalho em aplicativos, o setor registra crescimento expressivo nas vendas. Contudo, os dados de segurança viária revelam um contraponto preocupante: o número de acidentes envolvendo motociclistas permanece elevado, exigindo atenção redobrada de autoridades e sociedade.

De acordo com levantamento da Abraciclo, associação que representa o setor de duas rodas, a produção de motocicletas ultrapassou a marca de 1,6 milhão de unidades em 2024, maior volume desde 2014. Já nos primeiros meses de 2025, os emplacamentos seguiram em ritmo acelerado, consolidando a motocicleta como um dos veículos mais vendidos no país.

A preferência por motos pode ser explicada por fatores econômicos e sociais. Com o preço da gasolina em patamares elevados e a manutenção de automóveis cada vez mais cara, a motocicleta se tornou uma solução acessível para deslocamentos diários. Além disso, a expansão dos serviços de entrega e transporte individual contribuiu para a demanda, especialmente nas grandes capitais.

Entretanto, esse cenário de crescimento esbarra em um problema estrutural: a segurança viária. Dados do Denatran e do Ministério da Saúde apontam que motociclistas correspondem a mais de 55% das vítimas fatais em acidentes de trânsito no Brasil. O fenômeno se agrava nas regiões metropolitanas, onde o tráfego intenso, aliado à pressa característica das entregas, expõe condutores a riscos diários.

Outro aspecto relevante é a idade média da frota. Muitas motocicletas em circulação têm mais de dez anos de uso, o que aumenta a necessidade de manutenção preventiva. A ausência de inspeção veicular obrigatória no país também contribui para a presença de veículos em más condições nas ruas.

Especialistas em mobilidade defendem que o problema não se resume à imprudência individual. Falhas na infraestrutura urbana, como ausência de faixas exclusivas, buracos nas vias e iluminação deficiente, potencializam os riscos. Além disso, a fiscalização limitada e a baixa adesão ao uso de equipamentos de segurança, como roupas adequadas e capacetes de qualidade, ampliam a vulnerabilidade dos motociclistas.

O crescimento do mercado de motocicletas reflete a busca por praticidade, economia e novas formas de trabalho no Brasil contemporâneo. Porém, a elevação das estatísticas de acidentes demonstra que o desafio vai além da mobilidade: é também uma questão de saúde pública. O equilíbrio entre incentivo ao setor e medidas de segurança efetivas será determinante para que a moto continue sendo símbolo de liberdade e eficiência, sem se tornar sinônimo de risco permanente.