terça-feira, 12 maio, 2026

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Nossa Palavra – Turismo, entre o título e a realidade

Nos últimos dias, a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo aprovou a classificação de novos Municípios de Interesse Turístico (MIT). A decisão, celebrada por gestores e parlamentares, coloca cidades do interior sob os holofotes, prometendo atrair investimentos, fomentar a economia local e fortalecer a identidade cultural. Mas a pergunta que precisa ser feita, sobretudo em cidades médias como Taquaritinga, é: o título, por si só, garante o desenvolvimento?

O turismo é, sem dúvida, um dos setores que mais movimenta riquezas no mundo. Em escala global, responde por milhões de empregos e contribui para a preservação de tradições e patrimônios. No entanto, no Brasil — e em especial no interior paulista — ainda nos deparamos com o risco do turismo se resumir a um discurso institucional, um carimbo que enfeita papéis oficiais, mas não se traduz em políticas públicas consistentes.

Em Taquaritinga, a vocação turística é inegável: temos festas tradicionais, como a do Peão e o Carnaval de rua, pontos históricos como o Cine Teatro São Pedro, além de uma rica produção cultural e gastronômica. Porém, para transformar essa vocação em resultado, é preciso mais do que decretos e placas de inauguração. São necessárias ações concretas: infraestrutura adequada, qualificação profissional, roteiros bem estruturados, incentivo ao pequeno empreendedor e estratégias de divulgação eficientes.

Não podemos ignorar que, sem investimento real, o título de MIT pode se tornar apenas um recurso político, usado para discursos de ocasião. O turismo só gera frutos quando há planejamento integrado: transporte eficiente, segurança, preservação ambiental e valorização da cultura local. Caso contrário, a promessa se esvai, e a população, que esperava crescimento econômico, fica apenas com a sensação de ter assistido a mais uma propaganda oficial.

Por outro lado, é inegável que a aprovação do título abre oportunidades. Cabe agora às autoridades municipais e à sociedade civil cobrar e participar ativamente da elaboração de projetos que garantam o uso responsável dos recursos destinados ao turismo. O sucesso dessa política depende da união entre governo, iniciativa privada e comunidade. Afinal, o turista que chega a uma cidade não busca apenas belas paisagens ou festas populares: ele procura experiência, hospitalidade e autenticidade.

O turismo pode ser, sim, um motor de desenvolvimento sustentável para Taquaritinga e tantas outras cidades do interior paulista. Mas para que isso aconteça, é preciso ultrapassar o campo do discurso e entrar na esfera da prática. Se o título de MIT for apenas uma chancela decorativa, perderemos uma chance histórica. Porém, se transformado em ferramenta estratégica, ele pode gerar emprego, renda e autoestima para nossa gente.

O desafio está posto: entre o título e a realidade, é hora de escolher o caminho da seriedade e da construção coletiva.