Plenária para formação do novo COMTUR e articulações na Alesp evidenciam o esforço por reconhecimento e desenvolvimento sustentável
O turismo, enquanto vetor de desenvolvimento econômico e social, exige mais do que boas intenções e eventos pontuais: requer estrutura, planejamento contínuo e, sobretudo, integração entre poder público, iniciativa privada e sociedade civil. Taquaritinga, município de reconhecido potencial histórico, cultural e agrícola, caminha para uma nova fase nesse cenário ao colocar o turismo no centro do debate institucional.
No próximo dia 31 de maio, a cidade sediará a Plenária do Turismo, com o objetivo de compor o novo Conselho Municipal de Turismo (COMTUR), órgão colegiado de natureza consultiva e deliberativa que terá a missão de fomentar políticas públicas voltadas ao setor no biênio 2025-2027. A iniciativa é louvável e sinaliza um momento oportuno para reavaliar o papel que o turismo pode desempenhar na geração de emprego, renda e valorização do patrimônio local.
A Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, responsável pela organização da plenária, reconhece que o êxito dessa empreitada está condicionado à mobilização de todos os segmentos da cadeia produtiva do turismo. Representantes do comércio, da gastronomia, da hotelaria, do meio ambiente e da cultura são chamados a participar não como coadjuvantes, mas como protagonistas de uma agenda comum. O desafio, contudo, não se limita à formação de um novo conselho. Ele reside, sobretudo, na sua capacidade de se manter ativo, autônomo e efetivo diante das dificuldades práticas e orçamentárias que historicamente limitam o setor em municípios de médio porte.
Paralelamente a esse movimento local, uma comitiva da prefeitura esteve recentemente na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), em agenda articulada que visou buscar recursos e fortalecer o pleito de Taquaritinga ao título de Município de Interesse Turístico (MIT). A certificação, concedida pelo Governo do Estado, representa muito mais que uma chancela formal: é uma porta aberta para novos investimentos e políticas estruturantes voltadas ao turismo regional.
A atuação dos secretários municipais — Rita Ramalho (Educação), Ana Curti (Gestão) e Jhonatas Fidelis (Cultura e Turismo) — revela uma estratégia de governança pautada pelo diálogo institucional e pelo planejamento intersetorial. Ainda que a visita aos parlamentares não resulte em resultados imediatos, ela cumpre o papel político de dar visibilidade às demandas da cidade, abrindo caminhos para emendas parlamentares e parcerias futuras.
A busca pelo reconhecimento como MIT, se bem conduzida, poderá consolidar Taquaritinga como destino turístico relevante dentro do mapa estadual. Festas religiosas tradicionais, circuitos rurais, manifestações culturais e eventos agropecuários já formam uma base sólida para isso — o que falta é articulação técnica, apoio financeiro contínuo e políticas públicas integradas que transformem vocações latentes em práticas consolidadas.
O momento exige, no entanto, um olhar crítico. A criação e renovação do COMTUR devem ser acompanhadas de critérios claros de representatividade e compromisso. Conselhos esvaziados ou dominados por interesses setoriais não apenas comprometem os avanços, como servem de fachada para políticas inócuas. É essencial que o novo colegiado opere com transparência, promova participação efetiva e produza resultados mensuráveis.
O turismo em Taquaritinga, portanto, está em pauta — e não por acaso. Em tempos de retração econômica e busca por novos eixos de crescimento, investir em políticas de turismo sustentável e criativo é também investir em identidade, pertencimento e futuro. Mas que não se caia na ilusão de que apenas títulos e conselhos resolverão a equação. O verdadeiro desafio está em transformar boas ideias em ações concretas e perenes.



