Reuniões com CPFL e especialistas revelam entraves históricos, cobranças recorrentes e a urgência de respostas mais efetivas para a população
Em um cenário que ainda desafia os moradores de Taquaritinga no seu cotidiano mais básico — a simples travessia de ruas e praças à noite —, o tema da iluminação pública voltou ao centro do debate político. Reuniões realizadas entre vereadores, representantes da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) e o prefeito Dr. Fulvio Zuppani expuseram o que há tempos se torna cada vez mais difícil de ignorar: a cidade enfrenta um apagão silencioso e persistente, cuja resolução esbarra em questões operacionais, judiciais e administrativas.
Na quarta-feira (23), a Câmara Municipal recebeu a consultora de relacionamento da CPFL, Elidiane Bernardi, para uma reunião em que vereadores apontaram diversos pontos críticos da cidade — locais com postes apagados, trechos inteiros em escuridão e relatos constantes da população. A representante da concessionária reiterou que as trocas de lâmpadas estão sendo realizadas dentro do prazo legal, que pode chegar a 30 dias, embora o tempo médio de atendimento esteja, segundo ela, em cerca de 15 dias. Ressaltou ainda a importância de os munícipes utilizarem os canais oficiais da CPFL para registrar ocorrências, sob pena de o problema sequer constar nos registros da empresa.
É, no entanto, legítimo questionar até que ponto essa orientação responde à realidade vivida por milhares de cidadãos que, mesmo após solicitações, seguem caminhando entre postes inoperantes e praças mal iluminadas. A cidade não pode depender exclusivamente da iniciativa popular para suprir falhas recorrentes da estrutura urbana — é papel da gestão pública garantir que o serviço básico de iluminação seja entregue com qualidade, regularidade e previsibilidade.
Do ponto de vista jurídico, a manutenção da rede elétrica permanece, por força de liminar, sob responsabilidade da CPFL, ainda que exista histórico recente de inadimplência por parte da Prefeitura. O episódio do corte de energia ao Paço Municipal, ocorrido no ano passado, é um lembrete amargo das consequências da má gestão. Agora, embora a consultora da CPFL tenha afirmado que a Prefeitura deixou de ser considerada inadimplente — com o parcelamento de débitos em dia e a ação de cobrança arquivada pelo Ministério Público —, a confiança da população ainda precisa ser restabelecida por meio de ações concretas.
Já na quinta-feira (24), o prefeito Dr. Fulvio Zuppani buscou abrir um novo capítulo dessa pauta com a presença do especialista Paulo Candura, profissional com vasta experiência em iluminação urbana. A reunião foi marcada por discussões técnicas e sugestões de modernização, incluindo alternativas sustentáveis e planejamentos de médio prazo. Apesar da iniciativa positiva, a urgência do problema exige mais que planos futuros — requer respostas imediatas, especialmente em regiões periféricas onde a ausência de luz compromete a segurança, o trânsito e o bem-estar dos moradores.
A presença dos vereadores nas duas reuniões é um sinal claro de que o Legislativo está ciente da gravidade da situação. Mas é preciso ir além da retórica e dos encontros protocolares. A Câmara anunciou que manterá um canal direto com a CPFL para comunicar demandas da população, um passo importante, embora insuficiente diante da complexidade do problema. A ampliação da rede, a substituição de equipamentos danificados e a implantação de soluções mais modernas, como luminárias de LED e sistemas inteligentes de monitoramento, precisam deixar o papel e entrar nas ruas.
O poder público tem o dever de garantir que nenhuma cidade — e nenhuma pessoa — viva na escuridão. A transparência nos contratos, o rigor na cobrança da concessionária, a responsabilidade fiscal da Prefeitura e a vigilância cidadã são as chaves para romper com o ciclo de promessas e iluminar, de fato, a vida dos taquaritinguenses. Enquanto isso não acontece, resta à população aguardar, relatar e — como tantas vezes já ocorreu — esperar que a luz volte a brilhar.



