terça-feira, 13 outubro, 2026
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Nossa Palavra – Outubro Rosa precisa ir além da cor e se transformar em cuidado

Todos os anos, quando outubro chega, prédios recebem iluminação especial, empresas adotam a cor rosa, campanhas tomam as redes sociais e o tema da prevenção ao câncer de mama volta ao centro das atenções. Tudo isso é importante. Mas é preciso reconhecer: o Outubro Rosa só cumpre verdadeiramente sua missão quando a conscientização se transforma em atitude.

Não basta vestir rosa. Não basta compartilhar uma publicação. Não basta lembrar da prevenção durante apenas um mês. O enfrentamento ao câncer de mama e ao câncer do colo do útero exige informação correta, acesso aos serviços de saúde e, principalmente, disposição para não adiar o cuidado.

O câncer de mama, quando identificado em estágios iniciais, apresenta maiores possibilidades de tratamento bem-sucedido. Por isso, conhecer o próprio corpo e procurar atendimento diante de alterações suspeitas continua sendo fundamental.

Caroços, mudanças na pele da mama, retrações, vermelhidão, alterações no mamilo ou secreções espontâneas não devem ser ignorados.

Ao perceber qualquer mudança, a orientação é procurar uma Unidade Básica de Saúde.

Também é necessário falar sobre a mamografia com responsabilidade. Atualmente, o Ministério da Saúde recomenda o rastreamento populacional pelo SUS para mulheres entre 50 e 74 anos, a cada dois anos. Para mulheres entre 40 e 49 anos, acima dos 74 ou com fatores de risco específicos, a realização do exame deve ser avaliada individualmente com um profissional de saúde.

Essa orientação reforça algo essencial: não existe prevenção responsável baseada apenas em mensagens genéricas.

Cada mulher possui uma história, uma idade, fatores de risco e necessidades diferentes.

Da mesma forma, hábitos de vida também fazem diferença. Manter-se fisicamente ativa, cuidar do peso corporal, evitar bebidas alcoólicas, não fumar e amamentar, quando possível, estão entre as medidas relacionadas à redução do risco de câncer de mama.

O Outubro Rosa também chama atenção para o câncer do colo do útero, uma doença fortemente relacionada à infecção persistente pelo HPV.

Nesse campo, o Brasil vive uma mudança importante. O SUS está ampliando a utilização do teste molecular DNA-HPV como método principal de rastreamento para pessoas com colo do útero entre 25 e 64 anos. Quando o resultado é negativo, o intervalo poderá chegar a cinco anos.

Entretanto, nenhuma tecnologia será suficiente se a população não conseguir chegar ao serviço de saúde.

Esse talvez seja um dos maiores desafios das campanhas de prevenção.

Precisamos incentivar as mulheres a procurar atendimento, mas também precisamos garantir que encontrem portas abertas, profissionais preparados, exames disponíveis e encaminhamento rápido quando houver alguma alteração.

Prevenção não pode ser apenas responsabilidade da paciente.

É também responsabilidade do poder público, dos serviços de saúde, das famílias, das empresas e de toda a sociedade. Durante outubro, veremos muitas campanhas. Que elas continuem existindo. Mas que não terminem no último dia do mês. Porque câncer não escolhe calendário. E prevenção também não deveria escolher.

O verdadeiro significado do Outubro Rosa está em transformar informação em cuidado, medo em orientação e campanhas em acesso efetivo à saúde.

Se uma única mulher procurar atendimento porque recebeu a informação correta no momento certo, a campanha já terá cumprido parte importante de sua missão.

Mas nossa responsabilidade deve ir além. Que outubro seja rosa. Mas que o cuidado dure o ano inteiro.