quinta-feira, 30 abril, 2026

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Momento Agro: Após dois meses de tarifaço, manga, uva e suco de laranja resistem, mas lucros diminuem

Setor de frutas mantém ritmo das exportações apesar das sobretaxas impostas pelos Estados Unidos, mas enfrenta margens de lucro menores

Após dois meses da implementação do tarifaço imposto pelos Estados Unidos, o setor brasileiro de frutas mostra sinais de resistência, embora com lucros mais apertados. Dados divulgados pela revista Hortifruti Brasil, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), apontam que, mesmo diante das sobretaxas que chegaram a 50%, as exportações de manga, uva e suco de laranja mantiveram o fluxo em volume, mas com redução significativa na rentabilidade.

Segundo os pesquisadores, a diversificação dos mercados e a qualidade dos produtos brasileiros foram fundamentais para evitar uma queda mais acentuada nas vendas externas. No caso da manga, o desempenho foi considerado positivo. Beneficiada pela antecipação da safra mexicana e pela boa aceitação da fruta nacional, o Brasil conseguiu ampliar os embarques tanto para os Estados Unidos quanto para a União Europeia, mesmo com o cenário adverso. Essa performance confirma a consolidação do país como um dos principais exportadores mundiais da fruta, com reconhecimento crescente pela excelência na produção.

A uva também apresentou estabilidade nas exportações, embora os custos logísticos e as tarifas tenham reduzido as margens de lucro. De acordo com o Cepea, a capacidade de adaptação das empresas brasileiras, aliada ao investimento em tecnologia e ao fortalecimento de parcerias comerciais, tem permitido ao setor manter sua posição estratégica no mercado internacional de frutas frescas.

No caso do suco de laranja, o cenário é mais complexo. Apesar da isenção da sobretaxa de 40% sobre o suco concentrado, que possibilitou a continuidade dos embarques aos Estados Unidos, os derivados do suco, como óleos essenciais e farelo de laranja, seguem penalizados pela tarifa de 50%, o que impacta diretamente o faturamento do complexo citrícola brasileiro. A disparidade entre os produtos reforça, segundo o Cepea, a necessidade urgente de acordos bilaterais que assegurem maior competitividade e previsibilidade ao setor.

O estudo também destaca que, embora o Brasil tenha conseguido preservar o volume exportado, a queda nas receitas demonstra a fragilidade de depender de poucos mercados compradores. A ampliação de acordos comerciais e o fortalecimento de rotas alternativas, especialmente com a Ásia e o Oriente Médio, são vistos como caminhos estratégicos para reduzir os impactos de políticas tarifárias externas.

Mesmo sob pressão, o agronegócio de frutas brasileiras segue como um dos pilares do comércio exterior do país, combinando resiliência, qualidade e inovação para superar desafios geopolíticos e econômicos.