Capítulo 3: Aldair, o cavalheiro da zaga
Por: Rodrigo Panichelli*
Na minha seleção de todos os tempos, quem veste a camisa 3 é Aldair. Porque zagueiro não precisa dar carrinho pra mostrar autoridade. Às vezes, basta chegar antes. Às vezes, basta ser Aldair.
Do Flamengo à Roma, ele nunca precisou gritar para ser respeitado. Jogava como quem ouve jazz enquanto o jogo pegava fogo. Era precisão no desarme, serenidade na saída de bola, sabedoria na marcação. Com ele, até os atacantes adversários pensavam duas vezes antes de arriscar qualquer ousadia.
Foi campeão do mundo em 1994, vice em 1998, campeão da Copa América e das Confederações. Mas mais que os títulos, o que ficou foi a classe com que ele tratava o ofício de zagueiro. Aldair era daqueles que faziam a zaga parecer meio de campo.
Por muito tempo, ninguém chegou perto de tirá-lo da minha lista. Só Miranda, por um momento, me fez balançar. Mas o coração sempre puxa para onde a memória sorri. E minha memória sorri com Aldair — parceiro ideal para formar a dupla de zaga com Paolo Maldini, meu camisa 4.
Sim, o time é meu. E nele, elegância também se marca no corte seco de um contra-ataque. Aldair é o dono da 3. E jogando limpo como sempre, ele merece.



