Por: Rodrigo Panichelli*
O futebol de base é aventura, descoberta, alegria do primeiro chute, primeiro gol, primeiro aplauso. É ali que se aprende que a derrota dói menos se houver abraço ao final. Mas nos últimos anos, essa alegria anda encoberta por algo feio: o grito dos pais, a agressividade das arquibancadas mirins, os gestos que ensinam menos a jogar e mais a brigar.
A Federação Paulista tomou uma medida forte — e necessária: fechou os portões dos jogos do Sub-12 e Sub-13 para o público. Quantas vezes vimos adultos ofendendo, pressionando, xingando enquanto crianças corriam, erravam, sorriam (ou choravam)? Muitas demais. Temos 46 ocorrências somente nas 15 primeiras rodadas: inicial do campeonato — e já superando todo o ano anterior.
Não é um castigo, deveria ser parte da educação. As crianças merecem crescer entendendo que esportes formam caráter, que jogar não é estar em vitrine nem alimentar ego de quem está à beira do campo. Pais que correm mais que jogadores; treinadores que, às vezes, olham para o protesto de adultos em vez de olhar para o choro de um menino desencorajado no banco.
Se a base é o futuro, precisamos cuidar para que esse futuro seja de respeito, de aprendizado. Que o apito inicial valha mais do que o apito final. Que a derrota seja aceita com dignidade e a vitória com humildade. Que arquibancada de jogo criança seja lugar de torcida, não de hostilidade.
Por isso, a decisão da FPF é educativa e exemplar. Deveria servir de espelho para outras organizações. Para clubes. Para famílias. Para quem ama o futebol a ponto de desejar um amanhã melhor.
Porque se o menino ou menina escutam palavrões, se habituam aos gritos, eles aprendem que a agressividade é parte do jogo. E não é. A arte do futebol está na bola acelerada mas no coração sereno.



