segunda-feira, 25 maio, 2026

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Capítulo Zero

Por: Lucas Fanelli*

Olá caros leitores, espero que vocês estejam bem!! A dica literária de hoje é um suspense psicológico de tirar o fôlego.

Se você acha que sua família é disfuncional porque sua tia posta indiretas no Facebook e seu primo só aparece quando precisa de dinheiro, então talvez Tudo o que nunca contei seja o abraço literário que você não sabia que precisava, ou o tapa na cara, dependendo do seu nível de negação.

Celeste Ng nos entrega uma história que começa com uma bomba: Lydia está morta!! Ninguém sabe disso ainda, quer dizer, sabem que ela está morta, mas não sabem por que. Aí começa o desfile de segredos, expectativas e silêncios que faz você pensar e repensar na vida.

A família Lee é o retrato perfeito daquilo que acontece quando pais projetam seus sonhos frustrados nos filhos. Marilyn queria ser médica, mas virou dona de casa. James queria ser aceito, mas virou professor universitário com crise de identidade. E Lydia? Bem, Lydia queria… respirar. Mas não deu tempo.

O livro é uma aula de como não criar filhos. Se você está pensando em ter um, leia esse livro como manual de instruções invertido. Tudo o que os pais de Lydia fazem, você faz o oposto. Pronto, sucesso garantido. Ou pelo menos seu filho terá gastos reduzidos com terapia.

Ng escreve com uma delicadeza que contrasta com o peso da história. É como receber uma facada envolta em papel de presente. Você lê sorrindo, mas por dentro está gritando: “Alguém conversa com essa menina, pelo amor de Freud!”

E o título? Tudo o que nunca contei é praticamente o slogan oficial de todas as famílias. Quem nunca teve um almoço de domingo em que todo mundo finge que está tudo bem enquanto o tio racista solta uma pérola e a avó finge que não ouviu?

No fim das contas, o livro é um lembrete de que o silêncio pode ser tão ensurdecedor quanto um grito. E que às vezes, o maior ato de amor é simplesmente perguntar: “Você está bem?”, e realmente querer ouvir a resposta.

Então, se você está em busca de uma leitura leve, divertida e cheia de esperança… escolha outro livro. Mas se quiser mergulhar num drama familiar com camadas dignas de cebola (que também faz chorar), Tudo o que nunca contei é o prato cheio. Só não esqueça o lencinho.

*Lucas Fanelli é apaixonado por livros e colaborador de O Defensor.