Por: Rodrigo Panichelli*
O Corinthians se classificou diante da Portuguesa. E, desta vez, ninguém precisou chamar Javier Castrilli.
Em 1998, o árbitro argentino virou personagem involuntário — ou protagonista, depende do ponto de vista — de uma semifinal de Paulistão marcada por um pênalti que até hoje provoca debates acalorados entre corintianos e palmeirenses. Operação ou interpretação? A história guardou a polêmica.
Mas 2026 foi diferente. Foi futebol. Foi jogo grande.
Corinthians e Portuguesa fizeram um confronto digno de quartas de final. Intensidade, alternância, tensão. O Corinthians sendo Corinthians: competitivo, resiliente, gol no fim — porque o relógio também veste preto e branco quando a camisa pesa — e classificação nos pênaltis. Drama na medida certa. Emoção na veia.
E justiça seja feita: arbitragem segura do sr. Rafael Claus. Discreta, firme, presente quando necessário e ausente quando o jogo pedia protagonismo dos jogadores. O melhor elogio que se pode fazer a um árbitro é esse: quase não lembramos dele.
Se o Corinthians confirmou sua vocação copeira, as demais quartas também disseram muito sobre o momento do futebol paulista.
O Santos viveu o lado cruel da moeda. Derrota no último minuto para o Novorizontino. O futebol, às vezes, é um lembrete de que tradição não marca gol nos acréscimos. Fica a frustração e a lição: jogo só termina quando termina. E o Novorizontino segue mostrando que organização e convicção não são privilégio de camisa pesada.
O São Paulo, por sua vez, superou previsões e um tabu incômodo em Bragança Paulista. Não vencia ali havia tempo demais para um clube acostumado a desafiar estatísticas. Jogou com inteligência, maturidade e controle emocional. Mais do que a vitória, foi a quebra simbólica de um incômodo histórico.
Já o Palmeiras fez o que se espera de quem entra como favorito. Diante do estreante Capivariano, estreante na elite de 2026, confirmou superioridade com naturalidade. Sem alarde, sem susto. O Palmeiras de hoje raramente precisa provar algo — ele simplesmente faz.
As quartas mostraram o que o Paulistão ainda tem de melhor: imprevisibilidade, tradição, surpresa e o velho drama que só o mata-mata oferece.
Desta vez, sem fantasmas de 1998.
Sem polêmicas eternas.
Com a bola decidindo, o futebol agradece.



