Por: Rodrigo Panichelli*
O São Paulo Futebol Clube já viveu quase tudo em seus mais de 90 anos: glórias mundiais, hegemonias nacionais, quedas duras e reconstruções lentas. Mas 2026 começa com um roteiro que não combina com sua grandeza — um enredo em que o futebol vira figurante e os bastidores assumem o papel principal.
Investigações, áudios vazados, suspeitas de desvios, conselheiros em guerra, diretoria na defensiva. O noticiário tricolor tem sido menos bola na rede e mais páginas policiais e jurídicas. E isso machuca. Machuca porque o São Paulo sempre se orgulhou de ser referência institucional, de organização, de vanguarda.
O torcedor, aquele que canta no Morumbis e sofre em silêncio, não quer julgamentos precipitados — quer respostas claras. Quer saber como um clube desse tamanho permite que dúvidas se acumulem sobre sua gestão, suas contas e seus dirigentes. Quer transparência, não versões.
O problema é que crise administrativa não respeita tabela, não espera data FIFA, não combina com calendário de Libertadores ou Brasileiro. Ela contamina o ambiente, pesa na arquibancada e chega, inevitavelmente, ao campo. Futebol é reflexo. Sempre foi.
O São Paulo precisa, mais do que nunca, voltar a ser São Paulo. Não apenas pelo escudo, pelas estrelas ou pelos títulos do passado, mas pela postura. Pela ética. Pela responsabilidade com sua história.
Ganhar jogos é importante. Ganhar campeonatos, essencial.
Mas recuperar a confiança talvez seja o título mais urgente que o Tricolor precisa disputar — e vencer — em 2026.
Porque clube grande pode perder partidas.
O que não pode é perder o rumo.



