Por: Rodrigo Panichelli*
O Flamengo acaba de conquistar sua quarta Libertadores — a terceira só nas últimas duas décadas — e ainda levou o Brasileirão pela terceira vez nos últimos anos (2019, 2020 e agora 2025). Não sei se o futebol brasileiro está tão ruim ou se ficou tão fácil. Talvez seja apenas o óbvio: quando você junta organização, gestão, bola e um pouco de bom senso, o resto tende a dar certo. E dá. Muito.
Enquanto boa parte do Brasil ainda acredita que “camisa pesa” e “mística resolve”, o Flamengo resolveu apostar em algo mais simples: planejamento. E, veja só, funciona. Funciona tanto que parece até covardia.
Porque hoje, tirando o Palmeiras — o único que realmente chega perto no quesito estrutura — o restante está comendo poeira rubro-negra. E não é aquela poeira romântica do futebol raiz: é poeira de centro de treinamento moderno, de departamento de análise cheio de números, de gestão profissional, de time bem montado e salário em dia.
É duro admitir, mas talvez o futebol brasileiro só volte a ser realmente competitivo quando o Flamengo começar a vender consultoria de como ser organizado. Curso, workshop, mentoria, assinatura mensal, qualquer coisa. Porque o que o clube faz hoje não é milagre, não é acaso, não é var, não é estrela, não é sorte:
é trabalho bem feito repetido por muitos anos.
Isso não diminui o brilho. Pelo contrário.
Torna ainda mais gigante o que o Flamengo está fazendo.
E aí vem a pergunta que incomoda meia dúzia, mas precisa ser feita:
o Flamengo é tão bom… ou o resto é que desaprendeu?
A resposta talvez esteja no placar, nos títulos, na taça da Libertadores erguida em Lima e no Brasileirão que volta para Gávea como quem pega caminho velho para casa.
No futebol brasileiro de 2025, o Flamengo não é só campeão.
É referência.
É modelo.
É a régua que mede o resto.
E enquanto essa régua continuar tão acima da média, prepare-se:
vai continuar sendo difícil competir…
e fácil explicar.
Porque, no fim, quando se faz o certo, o resultado não surpreende ninguém.



