sábado, 2 maio, 2026

spot_img

TOP 5 DESTA SEMANA

Notícias Relacionadas

Artigo: Quem acredita em você quando você não acredita mais?

Por: Nadia Araujo*

Eu admiro aquelas pessoas que possuem uma confiança inabalável. Digo isso porque sua amiga aqui que vos escreve sempre foi muito insegura com tudo, mas principalmente na parte intelectual. Não sei de onde isso veio essa insegurança, afinal, sempre tirei boas notas (menos às matérias que envolviam exatas), era elogiada pela minha criatividade, boa educação e convivência, mas, aparentemente isso não foi suficiente. Na minha cabeça, sempre houve uma voz que me dizia o contrário: que eu não era boa em nada e de tanto ouvi-la, eu acreditei. Por causa dela, fui deixando muitas coisas para trás.

O que eu não sabia é que, na vida adulta, essa voz passaria a gritar comigo. Tudo o que eu fiz foi acompanhada de muita insegurança. Fiz faculdade morrendo de medo de não conseguir executar os conhecimentos adquiridos; permaneci em trabalhos ruins porque achava que não seria capaz de conquistar algo melhor. E isso foi me diminuindo. Para uma mulher de 1,75 m. Quase invisível. Como se ocupasse menos espaço do que realmente ocupava no mundo.

Foi nesse cenário triste e tal como uma avalanche, Ricardo apareceu na minha vida. Ao contrário de mim, ele exalava uma confiança inexplicável e não apenas a “autoconfiança”, mas uma confiança na vida. É difícil explicar, mas é como se ele soubesse de algo que eu ainda precisava aprender. Foi um verdadeiro “choque de mundos”.

Eu, que já tinha desistido de tentar, que aos vinte e poucos anos me sentia atrasada, cansada e derrotada, comecei a enxergar outra possibilidade de existência. Com sua paciência, carisma e piadinhas, ele foi desmontando, aos poucos, as certezas que eu tinha sobre mim mesma.

Uma de duas frases é: “sua falta de comprometimento é um desrespeito com as pessoas que acreditam em você. Por muito tempo, essa frase não fez sentido pra mim, porque, na minha cabeça, ninguém acreditava. Engano meu. Muita gente acreditava, menos eu.

Aos poucos, fui aprendendo a ter esse comprometimento comigo e com os meus. Tive coragem de voltar a estudar e a trabalhar na área de que gosto. Cada pequeno, micro, nano passo foi celebrado como se eu tivesse ganhado a final da Libertadores, com flores, um jantar gostoso ou uma ida ao cinema.

Escutamos muito que, se não confiarmos em nós mesmos, ninguém confiará. Eu entendo o sentido dela. Em muitos aspectos, ela é verdadeira. Mas também aprendi que, em alguns momentos da vida, a gente precisa emprestar a crença de alguém. Precisa de alguém que segure essa confiança por nós, até que a gente consiga carregá-la sozinho.

E eu tive essa sorte.

De encontrar alguém que viu em mim algo que eu já não conseguia ver. Que, de alguma forma, regou aquilo que estava seco. Que me lembrou que ainda era possível sonhar.

E, se eu puder desejar algo, é isso: que existam mais “Ricardos” por ai. E que, quando for a nossa vez, a gente também consiga olhar para alguém e enxergar aquilo que ela ainda não consegue ver.

Porque, às vezes, é assim que a vida recomeça.
*Nadia Araujo é colaboradora d’O Defensor.