Por: Rodrigo Panichelli*
A Copa do Mundo de 1998, na França, foi especial pra mim por muitos motivos. Era a Copa da minha maioridade. Cheguei aos 18 anos já tendo visto o Brasil ser campeão, e foi também o ano em que comecei a namorar quem hoje é minha esposa e mãe dos meus trigêmeos. Ou seja, foi um tempo de descobertas, paixões e, claro, de muito futebol.
Dentro de campo, essa Copa teve de tudo — grandes jogos, craques em ação e, no fim, um mistério que até hoje intriga o torcedor brasileiro. A final entre Brasil e França roubou a cena de tudo o que aconteceu nas fases anteriores. Ninguém esquece da convulsão de Ronaldo Fenômeno, das idas e vindas sobre sua escalação, da confusão com Edmundo — que jogaria e depois não jogou — e da total desorganização que parecia tomar conta da comissão técnica.
E pensar que tudo já vinha bagunçado desde o corte de Romário, o herói de 94, que o povo pedia de volta. Machucado, ficou fora. Mas semanas antes da final, lá estava ele, jogando pelo Flamengo e mostrando que talvez ainda pudesse ajudar.
O Brasil, que sonhava com o pentacampeonato, acabou levando uma dura derrota: 3 a 0 para os donos da casa, com dois gols de Zidane e um de Petit. O grito de Edmundo, revoltado com Rivaldo por jogar a bola pra fora enquanto o adversário fazia cera, representou cada brasileiro diante da TV, sem acreditar no que via.
Anos depois, surgiram versões, histórias e teorias conspiratórias. Dizem que a final foi “entregue”, que havia pressão de patrocinadores, que a Fifa tinha seus interesses… Enfim, histórias bem contadas, repetidas tantas vezes que parecem até ensaiadas. A verdade mesmo é que perdemos — e perdemos feio.
Enquanto isso, aqui no Brasil, também era ano de decisão fora dos gramados. Tivemos a primeira reeleição presidencial direta, com FHC derrotando Lula mais uma vez, em meio a uma crise global que afetava a Rússia e a Ásia. O Plano Real segurava a economia, e a gente seguia acreditando — dentro e fora de campo — que o país ainda podia dar certo.
Aquela Copa me marcou não só pela derrota, mas por tudo o que ela simbolizou. Foi o fim de uma era e o começo de outra — e talvez o último grande choque de realidade antes da redenção de 2002. Mas isso, claro, é assunto pro próximo capítulo.



