Em sessão tensa marcada por divergências e lembrança da morte do ex-prefeito, vereadores não alcançam votos necessários para derrubar parecer do TCE-SP
A Câmara Municipal de Taquaritinga decidiu na noite de segunda-feira, 23 de fevereiro, manter o parecer desfavorável emitido pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) sobre as contas da Prefeitura referentes ao exercício de 2022, último ano completo da administração do então prefeito Vanderlei José Mársico. O processo, registrado sob o número TC-004323.989.22-8, havia recebido parecer pela rejeição e voltou ao plenário para deliberação dos vereadores, que precisavam de 10 votos para derrubar a decisão do órgão fiscalizador.
O debate foi considerado tenso e marcado por divergências, especialmente pelo contexto sensível envolvendo o recente assassinato do ex-prefeito, ocorrido em 10 de julho, fato lembrado por praticamente todos os parlamentares durante a sessão. Mesmo com o clima tenso que permeou as discussões, os vereadores mantiveram o rito institucional e avançaram para a votação.
O resultado final confirmou a posição do TCE: 7 votos favoráveis à gestão de 2022, pela derrubada do parecer, 6 votos pela manutenção da rejeição, além de 2 abstenções. Como não houve o número mínimo exigido, o parecer permanece válido e as contas seguem rejeitadas. Assim, a Câmara referendou as irregularidades apontadas pelo Tribunal.
Entre aqueles que votaram contra o parecer do TCE, manifestando apoio à gestão de 2022, estão: Gabriel Belarmino (PL), Véio Modesto (PSD), Dr. Peria (MDB), Arnaldo Baptista (MDB), Fernandinho Cabeleireiro (PT), Raimundo do Rancho (PSDB) e Marcelo Marinho (Republicanos).
Já os vereadores que decidiram pela manutenção do parecer, concordando com a rejeição das contas, foram: Mirian Ponzio (PT), Jhow Adorno (PRD), Baixinho do Posto (Novo), Maria Azevedo (PL), Dêlo Bate Bola (União) e Lívia Zuppani (MDB).
As duas abstenções, dos vereadores Meire Mazzini e Beto Girotto, embora não alterem diretamente o resultado, reforçaram o equilíbrio da votação e evidenciaram a complexidade política que envolve o tema. Por isso, o processo deve continuar repercutindo dentro e fora do Legislativo, já que a rejeição das contas pode impactar avaliações futuras sobre a gestão e influenciar cenários eleitorais.
A sessão, além de reafirmar a autonomia do Legislativo na análise das contas públicas, evidenciou o papel fiscalizador da Câmara e o peso das decisões do TCE em processos de transparência e responsabilização administrativa. No entanto, o debate também mostrou como aspectos políticos e emocionais podem atravessar pautas técnicas, exigindo dos vereadores equilíbrio entre sensibilidade e rigor institucional.



