Presidente do Legislativo afirma que gestão municipal dificulta fiscalização, ignora vereadores e afasta o MDB das decisões administrativas
A última sessão da Câmara Municipal de Taquaritinga foi marcada por um pronunciamento extenso e contundente do presidente do Legislativo, Beto Girotto, que utilizou a tribuna para detalhar o que classificou como um ambiente de dificuldade institucional, falta de diálogo e desrespeito entre o Executivo e o Parlamento. Ao longo de sua fala, ele apresentou um panorama das funções do vereador e criticou diretamente o prefeito Dr. Fulvio Zuppani, apontando entraves que, segundo ele, têm inviabilizado o trabalho de fiscalização da Casa.
Girotto iniciou sua manifestação relembrando as três funções essenciais do vereador: legislar, buscar recursos e fiscalizar. Segundo ele, enquanto as duas primeiras seguem sendo desempenhadas com empenho, a última tem sido sistematicamente prejudicada pela administração municipal. O presidente afirmou que cerca de 60 requerimentos encaminhados pelos parlamentares não obtiveram resposta dentro do prazo, o que, em sua avaliação, caracteriza omissão e limita a transparência pública.
Ao explicar que encaminhará ao Ministério Público a relação dos requerimentos não respondidos, Girotto ressaltou que a fiscalização é um pilar da atividade legislativa e que a falta de informações por parte da Prefeitura compromete o funcionamento democrático. Ele afirmou que a postura do Executivo “torna o trabalho quase inviável”, destacando que não se trata de um problema pontual ou isolado, mas de uma dificuldade permanente de comunicação com o prefeito e sua equipe.
Outro ponto da fala de Girotto foi a crítica à alegação recorrente de que a atual gestão seria “um governo do MDB”. Para o vereador, essa afirmação é injusta, já que, após a eleição, os integrantes do partido teriam sido deixados de fora de reuniões, decisões e debates internos. Ele destacou que o MDB participou da campanha, ofereceu estrutura e nomes experientes, mas que a sigla não possui influência no governo atual.
Ao citar exemplos, o presidente mencionou que pessoas de diversos partidos, inclusive antigos adversários, hoje ocupam cargos na administração. Para ele, isso evidencia que o MDB não deve ser responsabilizado por erros, omissões ou dificuldades enfrentadas pela Prefeitura. Em sua avaliação, a dissociação entre partido e governo é necessária para preservar a imagem de lideranças históricas e evitar prejuízos eleitorais futuros.
Girotto relatou ainda situações de desrespeito vividas por vereadores e até pelo vice-prefeito, mencionando episódios em que representantes do Legislativo teriam aguardado por longos períodos para serem atendidos pelo prefeito, sem retorno. Ele acrescentou que, apesar das críticas, não existe intenção de retaliação política, defendendo que projetos de interesse público continuarão recebendo suporte da Câmara.
Em meio às críticas, o presidente reconheceu avanços pontuais, como o pagamento em dia do funcionalismo, o repasse ao instituto previdenciário e o início de novas etapas de serviços como tapa-buracos e limpeza urbana. Contudo, afirmou que essas ações representam “o arroz com feijão” da administração pública e que falta ao governo municipal planejamento, execução eficiente e inovação.
Um dos pontos mais fortes do pronunciamento referiu-se à contratação de empresas pela Prefeitura, que, segundo Girotto, tem gerado recorrentes problemas operacionais. Ele afirmou que os vereadores frequentemente precisam fiscalizar “com a cara e a coragem”, já que informações oficiais não chegam como deveriam. Essa ausência de respaldo dificulta a atuação legislativa e gera desgaste junto à população, que recorre à Câmara em busca de soluções para questões como buracos nas ruas, falta de medicamentos e serviços interrompidos.
Na parte final de sua fala, o presidente reforçou que a Câmara é independente, não pertence a nenhum grupo político dentro da Prefeitura e continuará atuando com seriedade e transparência. Girotto afirmou que os vereadores têm trabalhado intensamente para buscar recursos e ajudar o município, independentemente de bandeiras partidárias, mas que esperam respeito institucional como contrapartida.
Ele concluiu defendendo que a solução para os conflitos não está em novas reuniões, mas em mudança de postura por parte do Executivo. O tempo, segundo ele, “está passando”, e a cidade precisa de ações concretas, não de promessas adiadas. A fala, extensa e marcada por forte tom crítico, evidencia um racha político que pode impactar diretamente a governabilidade municipal e a relação entre os Poderes ao longo do ano.



