Por: Sérgio Sant’Anna*
Prestem atenção em relação aos números abaixo, pois se trata de um excerto de um texto que publiquei no ano de 2011: “Já está mais do que na hora dos órgãos públicos incentivarem a leitura. Pelo que noto não desejam seres questionadores. A ignorância angaria votos… Leiam os dados desta pesquisa:
“Um levantamento do Instituto Pró-Livro confirma que o brasileiro lê pouco. São 77 milhões de não leitores, dos quais 21 milhões são analfabetos. Já os leitores, que somam 95 milhões, leem, em média, 1,3 livro por ano. Incluídas as obras didáticas e pedagógicas, o número sobe para 4,7 – ainda assim baixo. Os dados estão na pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, feita com 5.012 pessoas em 311 municípios de todos os estados. Nos Estados Unidos, por exemplo, a população lê, em média, 11 livros por ano. Já os franceses leem sete livros por ano, enquanto na Colômbia, a média é de 2,4 livros por ano. Entre os leitores, 41% disseram que gostam muito de ler no tempo livre, enquanto 13% admitiram que não gostam. Também entre os 95 milhões de leitores brasileiros, 75% disseram que sentem prazer ao ler um livro, mas 22% sustentaram que leem apenas por obrigação”.
Pois bem, este era um prenúncio do que viria acontecer, ou seja, aquilo que vivemos hoje. Somos invadidos por uma legião de pessoas que não leem, e aqueles que leem são tragados pelos livros de autoajuda ou aos compêndios religiosos. Fatos que somados, levam-nos a seguinte conclusão: a perseguição aos livros literários será cada vez mais severa, levantada por aqueles que nunca ou pouco leem. Seres dotados do estigma de perseguição, associação literária a esta ou aquela ideologia, além da difusão de uma série de mentiras.
No ano passado, no Rio Grande do Sul, terra onde o escritor carioca Jefferson Tenório decidiu morar, a sua grande obra, “O avesso da pele”, foi classicada como imprópria, e o levante contra o ganhador do prêmio Jabuti e sua obra máxima foi violenta, uma afronta ao estado democrático. Com o passar dos meses, a liberdade deu lugar à opressão e a obra de Tenório continua caminhando livremente pelas mentes ávidas pelo conhecimento, pelos amantes da literatura, por aqueles que se propõem à reflexão, ao pensamento crítico. E mais uma vez vemos esse problema acontecendo novamente; agora, aqui em Santa Catarina, em uma cidade do interior cuja vereadora propõem a retirada da obra “Capitães da areia”, do consagrado Jorge Amado, dos bancos escolares. Isso, a retirada de um livro deste lugar que é o berço do conhecimentp, o difusor do apreço pela leitura, o grande propulsor. Jorge Amado teve essa obra queimada em praça pública em 1937 sob as ordens do então presidente Getúlio Vargas à semelhança de Adolfo Hittler. Superado este momento tenobroso da nossa história, o levante retorna. A perseguição ao comunismo, a volta da moral, da família ideal e dos religiosos de plantão…Cenas da obra, assim como Tenório em sua magna literatura, são censuradas como se estimulassem tais atitudes. Pelo contrário, a intenção é levar nossos jovens, adolescentes à reflexão, através da analogia de que nada daquela época fora superado. Ainda somos os mesmos como versou Belchior.
De fato, essas pessoas não leram, esses censores, como os do passado, são burros, não percebem a importância que a leitura possui em relação à sociedade quando letrada, ávida à leitura. Estamos sendo sufocados por esses repressores, que em busca do poder a qualquer custo, lançam-se às inverdades e deliram com a invenção da perseguição, do comunismo, da linguagem imprópria, como se os filhos, amigos dos mesmos não se utilizassem de elementos piores pelo submundo da internet. Não podemos nos calarmos diante da volta dessa censura besta e incapaz de buscar à verdade porque nunca leram, psicanaliticamente é inveja daqueles que leem e sabem argumentar, algo impossível de acontecer com esses propositores.



