terça-feira, 21 abril, 2026

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Crônica: Quando um professor morre, vai-se com ele parte da educação

Por: Sérgio Sant’Anna*

Ao longo destes 27 anos como professor acabei ao longo desta estrada da vida perdendo colegas e amigos docentes. Sei que é algo natural quando falamos de vida, todavia dói em saber da perda destes profissionais. Seres humanos que dedicaram parte de sua história à construção de outros seres humanos, muitos abdicando da própria família. Quando um professor morre, desmancha-se com ele parte da educação. Porém, seu legado fica, por mais que tentem eliminá-lo. É no semblante, na ideia, na escrita que carregam-no.

Esta semana quando soube do falecimento do professor Volnei, as lágrimas tomaram conta dos meus olhos. Não pude adiá-las. Em 1995 ou 1994 conheci o professor Volnei Fernandes quando fazia Técnico em Alimentos na ETEC Dr. Adail Nunes da Silva. Era meu último ano. A ETEC DANS tinha como característica professores a frente do seu tempo. João Roberto, Darci (falecido), Amiguinho (Carlos Henrique), Profa. Regina, entre outros, e o Volnei era um deles. Dono de muitas histórias, inúmeras piadas e o cigarro que o acompanhava ao sair da sala. Lá estava ele fumando (aquele período ainda era permitido), lendo, conversando, debatendo. Lembro-me que a leitura ele fazia questão de que nos informássemos. Insistia. Talvez aí minha admiração. Mas, não era apenas isso, o cara era diferente, pra frente, gente boa, falava a linguagem da nossa juventude. Seu conhecimento era imenso. Isso também me atraia. No laboratório nos deliciávamos, pois ali ele era o cara. Dava show. Era o máximo. Em 1996 acabei retornando à ETEC como estagiário no curso noturno, auxiliando a Mara no laboratório, e lá estava ele. Um baita professor. Desses que você leva para o resto da sua vida.

Alguns depois retorno para a mesma escola, agora como professor. Duas passagens, mesmo que ligeiras, e lá estava ele, com a mesma alegria de sempre, com suas histórias (e agora eu fazia parte delas), talvez o cigarro, pois não me lembro, e com a vontade de sempre compartilhar conhecimento. Foi ótimo reencontrá-lo. Conviver com aquele que sempre admirei, e agora dividindo a sala dos professores com o cara, aquele que me ensinou a ter paixão pela Educação, pela arte de ensinar. Despedi-me quando dali saí. Sabia que não o veria mais, pois retornara para Porto Alegre, a terra que aprendi a amar.

Pelas redes sociais chega a notícia, docentes postando sem acreditarem, amigos com o coração em prantos, mais uma família que sofre…Professor Volnei havia falecido e com ele um pedaço da educação. Recordações que ficam e som certeza serão histórias a serem difundidas, pois ídolos serão eternos…

*Sérgio Sant’Anna é Professor de Redação no Poliedro, Professor de Literatura no Colégio Adventista e Professor de Língua Portuguesa no Anglo.

**Os artigos publicados com assinatura não manifestam a opinião de O Defensor. A publicação corresponde ao propósito de estimular o debate dos problemas municipais, estaduais, nacionais e mundiais e de refletir as distintas tendências do pensamento contemporâneo.