quarta-feira, 29 abril, 2026

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Competitividade: Exportações de suco de laranja iniciam safra 2025/26 em queda

Envios aos Estados Unidos e União Europeia atingem equilíbrio histórico após retração nas vendas europeias

As exportações brasileiras de suco de laranja iniciaram a safra 2025/26 em ritmo mais lento, registrando queda tanto em volume quanto em receita. De acordo com levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), com base em dados da Comex Stat, entre julho e setembro deste ano foram embarcadas 199,7 mil toneladas de suco em equivalente concentrado, redução de 4% em relação ao mesmo período da safra passada. No mesmo intervalo, a receita das exportações caiu 15%, totalizando US$ 751,3 milhões.

Um dos destaques do levantamento é a igualdade inédita entre os dois principais destinos do suco brasileiro: Estados Unidos e União Europeia, ambos com cerca de 48% de participação no volume exportado. O equilíbrio entre esses mercados, que não ocorria há vários anos, reflete mudanças importantes no cenário internacional.

As vendas aos Estados Unidos cresceram 13% no período, mesmo com a manutenção da tarifa residual de 10% aplicada pelo país ao produto brasileiro. O aumento da demanda norte-americana é atribuído à dependência cada vez maior do suco nacional, já que a produção local tem enfrentado dificuldades devido a fatores climáticos e à incidência do greening, doença que afeta os pomares de laranja.

Por outro lado, a União Europeia, historicamente o principal destino do suco brasileiro, apresentou retração de 8% nos embarques. Segundo analistas, o recuo é consequência da redução na demanda após a elevação dos preços internacionais e dos problemas de qualidade observados na safra anterior. Esses fatores levaram distribuidores e indústrias europeias a diminuírem o volume de compras no início da atual temporada.

O Brasil segue como líder mundial nas exportações de suco de laranja, responsável por cerca de 70% do comércio global do produto. Ainda assim, os números da nova temporada indicam desafios para o setor, que precisa equilibrar a produção com as exigências de qualidade e o comportamento dos mercados externos. A volatilidade cambial, as condições climáticas e a concorrência internacional também devem influenciar o desempenho das exportações nos próximos meses.

Com a proximidade do pico da safra, especialistas avaliam que o ritmo das exportações pode se recuperar, especialmente se houver estabilização dos preços e melhora na qualidade do suco processado. O desempenho da temporada 2025/26 será determinante para definir a competitividade do Brasil diante de mercados exigentes como o europeu e o norte-americano.