Mas alguns insistem em não mudar!
Por: Gabriel Bagliotti*
Confesso que tenho sentido, cada vez mais, que estamos vivendo tempos complicados. Tempos em que o calendário muda, o ano vira, mas certas atitudes permanecem as mesmas — ou até piores. Passado o recesso de final de ano, período que tradicionalmente remete à reflexão, à paz interior e ao convívio familiar, fica a sensação de que nem todos utilizam esse tempo para olhar para dentro. Enquanto muitos buscam reencontrar pais, filhos, tios, primos e amigos, outros parecem atravessar essas datas apenas alimentando conflitos, ressentimentos e a necessidade quase constante de conturbar a vida alheia.
É impossível não se incomodar com isso. Vivemos em uma sociedade cada vez mais acelerada, mais intolerante e menos disposta ao diálogo. As redes sociais potencializaram esse comportamento, transformando opiniões em ataques, divergências em ofensas e diferenças em verdadeiros campos de batalha. Muitas vezes, quem dispara palavras duras do outro lado de uma tela esquece — ou finge esquecer — que ali existe um ser humano. Alguém com história, sentimentos, família, filhos, pais, medos e fragilidades, assim como qualquer um de nós.
Talvez esteja aí um dos maiores desafios do nosso tempo: reaprender a conviver. Antes de tentar prejudicar alguém, antes de espalhar acusações, julgamentos ou maldade, precisamos parar e refletir. Será que gostaríamos de receber o mesmo tratamento? Será que aceitaríamos para nós aquilo que estamos dispostos a impor ao outro? A velha máxima de não fazer ao próximo o que não queremos para nós mesmos parece simples, mas tem se tornado rara na prática.
Acredito, de verdade, que precisamos resgatar valores básicos, independentemente de religião, ideologia ou posição social. No meu caso, busco sempre me lembrar dos ensinamentos de Jesus Cristo, que pregava o amor, o respeito, a empatia e a convivência em harmonia. Não é fácil. Somos diariamente provocados pelo orgulho, pela inveja, pela preguiça moral e pela soberba. O mal, como dizem, não tira férias e sabe exatamente onde nos testar.
O ano de 2026 já começou. Temos diante de nós doze meses inteiros para tentar ser melhores do que fomos ontem. Não falo de grandes gestos heroicos, mas de pequenas atitudes diárias: escolher o silêncio em vez da ofensa, o diálogo em vez do confronto, a empatia em vez do julgamento apressado. Escolher cuidar da própria vida antes de tentar destruir a do outro.
Se quisermos, de fato, viver em tempos menos complicados, a mudança precisa começar em cada um de nós. Não adianta esperar que o mundo mude se não estivermos dispostos a mudar primeiro. Que este novo ano seja, ao menos, uma oportunidade real de reflexão, amadurecimento e humanidade. O resto, acredito, vem como consequência.



