sábado, 25 abril, 2026

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Coluna Clikando – Autismo exige debate sério, informação e compromisso permanente

Por: Gabriel Bagliotti*

A realização do Seminário do Autismo SP, na última sexta-feira, 24 de abril, em Taquaritinga, representa algo que sempre defendi como essencial: temas sensíveis e urgentes precisam sair do silêncio e ocupar o centro do debate público. Quando uma cidade abre espaço para discutir inclusão, cuidado e respeito às pessoas com Transtorno do Espectro Autista, ela demonstra maturidade social e senso de responsabilidade coletiva.

Durante muito tempo, o autismo foi cercado por desinformação, preconceito e invisibilidade. Muitas famílias enfrentaram jornadas solitárias em busca de diagnóstico, atendimento e compreensão. Por isso considero relevante o tema escolhido para o encontro: “Juntos por uma nova história de cuidado e respeito”. Não se constrói uma nova história sem escuta, sem conhecimento e sem ação concreta.

Eventos como esse cumprem papel decisivo porque aproximam diferentes setores. Poder público, especialistas, representantes institucionais e sociedade civil reunidos no mesmo espaço mostram que a pauta do autismo não pertence a um grupo específico. Ela diz respeito a todos nós. Inclusão verdadeira não pode depender apenas da força das famílias. Precisa ser compromisso do Estado e também da comunidade.

Os debates sobre diagnóstico precoce, atendimento especializado, inclusão escolar, acesso à saúde e garantia de direitos tocam em pontos centrais. Na prática, são justamente essas áreas que determinam se uma criança terá oportunidades adequadas de desenvolvimento, se uma família terá suporte ou se continuará enfrentando barreiras diárias.

Na educação, por exemplo, ainda vejo muitos desafios. Não basta matricular o aluno. É preciso preparar professores, oferecer suporte pedagógico, adaptar ambientes e compreender individualidades. Inclusão sem estrutura corre o risco de virar apenas discurso.

Na saúde, a realidade também exige atenção. Diagnóstico tardio, filas para terapias e dificuldade de acesso a profissionais especializados ainda fazem parte da rotina de muitas cidades brasileiras. Quanto mais cedo o acolhimento acontece, maiores tendem a ser os benefícios no desenvolvimento e na qualidade de vida.

Outro mérito do seminário foi reunir nomes de diferentes áreas e regiões. Isso amplia perspectivas e fortalece redes de cooperação. Quando experiências são compartilhadas, soluções deixam de ser isoladas e podem inspirar novos caminhos.

Mas também penso que encontros como esse precisam gerar desdobramentos. Seminário importante não é apenas o que emociona no dia do evento, e sim o que provoca mudanças depois dele. Protocolos mais eficientes, capacitações, políticas públicas permanentes e atendimento humanizado são resultados esperados.

Taquaritinga acerta ao sediar uma iniciativa dessa natureza. Cidades de porte médio têm papel estratégico porque estão próximas das famílias e conseguem transformar discussões em ações locais com maior agilidade, desde que exista vontade política.

Sigo convencido de que compreender o autismo é dever social. Respeitar é obrigação moral. E incluir, de verdade, é prova concreta de civilidade. Quando a informação vence o preconceito, toda a sociedade evolui junto.

*Gabriel Bagliotti é jornalista responsável e diretor presidente de O Defensor.