Por: Luisinho Bassoli*
Em dezembro de 2021, postei, nas redes sociais, minha opinião de que a ainda eventual aliança Lula-Alckmin seria a melhor opção. Em resumo:
Não se tratava de aliança do PT com PSDB, mas de Lula com Alckmin (que se filiaria ao PSB). Alckmin atrairia os conservadores da Igreja Católica e enfraqueceria os evangélicos neopentecostais; amenizaria os ataques da grande mídia, que lhe é simpática; quebraria a resistência dos grupos econômicos, que perderiam o discurso do “comunismo”, “estatização” etc.; agregaria votos do eleitorado paulista (sobretudo do interior). A aliança poderia intensificar o “racha” no Centrão e ser a alternativa para os não-bolsonaristas desistirem da aventura Sérgio Moro.
Em relação à governabilidade, poderia reeditar a forma de gestão do governo Lula/Zé Alencar (que era do PL), na relação republicana com a sociedade, nos moldes do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão, composto por mega-empresários, Fiesp, CUT, que manteve diálogo na tríade governo/capital/trabalho.
E concluí dizendo que era dessas raras situações políticas do “ganha-ganha”: bom para os candidatos e para o Brasil, que se veria livre do bolsonarismo.
Atualmente
O tempo, ao que parece, tem me dado razão: a chapa venceu as eleições e Alckmin tem relevante papel na estabilidade política e no desenvolvimento econômico.
O vice-presidente foi nomeado ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, e articulou, junto com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, importantes ações na área econômica, se destacando na resistência ao tarifaço de Trump, sendo o principal gestor do “Plano Brasil Soberano”, que adotou medidas fundamentais para financiar as exportações, facilitar a compra de alimentos por órgãos públicos e engajar o BNDES e o Banco do Brasil nos aportes de verbas ao Fundo do Comércio Exterior. Também atua nas relações internacionais, com viagens à Índia e Nigéria, preparando os encontros de Lula com os líderes nigeriano e indiano; agora, chefiará a delegação brasileira nas negociações com os americanos sobre as tarifas.
Futuro
O médico Geraldo foi vereador e prefeito de Pindamonhanga, deputado estadual e deputado federal, vice-governador e governador de São Paulo, por quatro mandatos. Surge, agora, como opção à disputa pelo governo do estado em 2026, apontado como a “maior ameaça” à reeleição do (carioca e bolsonarista) Tarcísio de Freitas.
Acredito que Alckmin seja o melhor candidato dos progressistas ao governo paulista – se conseguir um “bom vice”, como a deputada Tabata Amaral ou o ministro Márcio França, por exemplo, terá viabilidade eleitoral.



